Aloimunização Rh: Monitoramento da Anemia Fetal

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021

Enunciado

Secundigesta, com 22 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal trazendo exames recentes de coombs indireto com título= 1:64 e tipagem sanguínea= O RH negativo. Considerando o diagnóstico diante deste quadro é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) há risco de anemia fetal, que pode ser monitorada por meio da medida do pico de velocidade sistólica na dopplervelocimetria da artéria cerebral média.
  2. B) a gestação pode cursar com hidropisia fetal, que deve ser diagnosticada por meio da dosagem de anticorpos anti-Rh no capilar fetal.
  3. C) há risco de anemia fetal, que deve ser diagnosticada por meio da dosagem de anticorpos anti-Rh no capilar fetal.
  4. D) a gestação pode cursar com hidropisia fetal, que pode ser monitorada por meio da medida da translucência nucal na ultrassonografia.
  5. E) a gestação pode cursar com hidropisia fetal, cujo manejo deve ser realizado por meio da amniodrenagem.

Pérola Clínica

Aloimunização Rh: Coombs indireto positivo + risco de anemia fetal → monitorar com pico de velocidade sistólica da artéria cerebral média.

Resumo-Chave

Em gestantes Rh negativas com Coombs indireto positivo (aloimunização Rh), há risco de doença hemolítica perinatal, que pode levar à anemia fetal. A dopplervelocimetria da artéria cerebral média (ACM), medindo o pico de velocidade sistólica (PVS), é o método não invasivo de escolha para monitorar a anemia fetal, pois o fluxo sanguíneo aumenta em fetos anêmicos.

Contexto Educacional

A aloimunização Rh é uma condição que ocorre quando uma gestante Rh negativa é exposta a eritrócitos Rh positivos (geralmente em gestação anterior ou transfusão), desenvolvendo anticorpos anti-Rh. Em gestações subsequentes com fetos Rh positivos, esses anticorpos maternos podem atravessar a placenta e destruir os glóbulos vermelhos fetais, levando à Doença Hemolítica Perinatal (DHP). A prevalência diminuiu significativamente com a profilaxia com imunoglobulina anti-Rh. O diagnóstico de aloimunização é feito pelo Coombs indireto positivo na gestante. Uma vez estabelecido o diagnóstico, o principal risco para o feto é a anemia, que pode progredir para hidropsia fetal e óbito. O monitoramento da anemia fetal é crucial e a dopplervelocimetria da artéria cerebral média (ACM) é o método não invasivo de escolha. O pico de velocidade sistólica (PVS) da ACM aumenta em fetos anêmicos devido à diminuição da viscosidade sanguínea e ao aumento do fluxo para o cérebro, sendo um indicador sensível da gravidade da anemia. O manejo da DHP envolve o monitoramento rigoroso do PVS da ACM. Se o PVS estiver elevado, pode ser indicada a cordocentese para confirmar a anemia e, se grave, realizar transfusão intrauterina. Em casos de hidropsia fetal, o prognóstico é mais reservado. A profilaxia com imunoglobulina anti-Rh em gestantes Rh negativas não sensibilizadas é a medida mais eficaz para prevenir a aloimunização.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Coombs indireto na gestação?

O Coombs indireto detecta anticorpos irregulares no soro materno, sendo crucial para identificar aloimunização, como a anti-Rh, que pode causar doença hemolítica perinatal no feto.

Como a dopplervelocimetria da artéria cerebral média avalia a anemia fetal?

A anemia fetal causa uma diminuição da viscosidade sanguínea e um aumento do débito cardíaco, resultando em um aumento do pico de velocidade sistólica (PVS) na artéria cerebral média, que é um marcador indireto e não invasivo da anemia.

Quais são as complicações da doença hemolítica perinatal?

A doença hemolítica perinatal pode levar à anemia fetal grave, hidropsia fetal (edema generalizado), insuficiência cardíaca e, em casos extremos, óbito fetal. Após o nascimento, pode causar icterícia grave e kernicterus.

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