HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2020
Em relação à Doença Hemolítica Peri-natal, assinale a alternativa INCORRETA:
Coombs indireto detecta anticorpos irregulares maternos (principalmente anti-Rh), não anticorpos anti-ABO.
O teste de Coombs indireto é fundamental para rastrear e quantificar anticorpos irregulares maternos (como anti-Rh) que podem causar Doença Hemolítica Perinatal (DHPN). Ele não avalia anticorpos anti-ABO, que são de menor importância na DHPN grave e geralmente são IgM, não atravessando a placenta em quantidade significativa.
A Doença Hemolítica Perinatal (DHPN), mais comumente causada pela isoimunização Rh, é uma condição grave em que anticorpos maternos atravessam a placenta e destroem os glóbulos vermelhos do feto, resultando em anemia fetal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como hidropsia fetal e óbito. A fisiopatologia envolve a exposição materna a antígenos eritrocitários fetais (geralmente em gestações anteriores ou transfusões), levando à produção de anticorpos IgG. O rastreamento da DHPN é feito através do teste de Coombs indireto no sangue materno, que detecta e quantifica anticorpos irregulares (principalmente anti-Rh). É importante notar que o Coombs indireto não avalia anticorpos anti-ABO, que geralmente causam uma doença hemolítica mais branda e são predominantemente IgM, não atravessando a placenta de forma significativa. Títulos de Coombs indireto acima de um certo limiar (ex: 1:8 ou 1:16) indicam a necessidade de investigação mais aprofundada. A vigilância fetal na DHPN inclui o ultrassom para detectar sinais de hidropsia e o Doppler da artéria cerebral média (ACM) para avaliar a velocidade de pico sistólico, um indicador sensível de anemia fetal. A hidropsia fetal é um sinal tardio e grave de anemia severa. O manejo pode envolver transfusões intrauterinas para corrigir a anemia e, em casos extremos, o parto prematuro. A profilaxia com imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) é fundamental para prevenir a isoimunização em gestantes Rh negativas.
A hidropsia fetal é caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido em pelo menos dois compartimentos fetais (ex: ascite, derrame pleural, derrame pericárdico, edema de pele). Na DHPN, é um sinal tardio e grave de anemia fetal severa e insuficiência cardíaca, indicando um prognóstico reservado e a necessidade de intervenção imediata.
A investigação com Doppler de Artéria Cerebral Média (ACM) fetal é iniciada quando o título de Coombs indireto materno é igual ou superior a 1:8 ou 1:16 (dependendo do protocolo), ou quando há histórico de feto previamente afetado. O Doppler da ACM é o método não invasivo mais preciso para detectar anemia fetal.
Os anticorpos da classe IgG são relevantes porque, ao contrário dos IgM, eles são pequenos o suficiente para atravessar a placenta. Uma vez na circulação fetal, eles se ligam aos eritrócitos fetais que expressam o antígeno correspondente, levando à hemólise e anemia fetal.
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