Doença Hemolítica Perinatal: Prevenção com Anti-D

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 23 anos, primigesta, Ig: 9 semanas, realizou os primeiros exames laboratoriais do pré-natal sem anormalidades. Sua tipagem sanguínea é A negativo. Sobre a doença hemolítica perinatal podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Se parceiro Rh positivo, devemos realizar imunoglobulina anti- D nas seguintes situações: procedimentos invasivos, gestação molar, gestação ectópica, abortamento.
  2. B) Ocorre quando a mãe é Rh positivo e o feto Rh negativo.
  3. C) Devemos realizar a imunoglobulina anti-D para todas as pacientes no pós-parto, de preferência nas primeiras 72 horas.
  4. D) Não há necessidade de vigilância fetal durante o pré-natal, já que as complicações ocorrem somente após o nascimento.
  5. E) Não devemos, para essa paciente, nos preocuparmos com doença hemolítica peri-natal, visto que só teremos informações possíveis para detecção da doença a partir da 24ª semana.

Pérola Clínica

Gestante Rh negativo + parceiro Rh positivo → profilaxia anti-D em situações de risco (aborto, invasivos) e rotineiramente no 3º trimestre e pós-parto.

Resumo-Chave

A imunoglobulina anti-D é crucial para prevenir a aloimunização Rh em gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo. Sua administração é indicada em eventos de risco para hemorragia feto-materna, como abortamento, gestação ectópica, procedimentos invasivos, e rotineiramente no terceiro trimestre e pós-parto.

Contexto Educacional

A Doença Hemolítica Perinatal (DHP), anteriormente conhecida como eritroblastose fetal, é uma condição grave que ocorre quando há incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o feto, mais comumente no sistema Rh. Uma mãe Rh negativo que carrega um feto Rh positivo pode ser sensibilizada por glóbulos vermelhos fetais que entram em sua circulação, produzindo anticorpos anti-Rh. Em gestações subsequentes com fetos Rh positivos, esses anticorpos maternos podem atravessar a placenta e destruir os glóbulos vermelhos do feto, causando anemia, hidropsia fetal e, em casos graves, morte intrauterina. A prevenção da aloimunização Rh é a pedra angular do manejo e é realizada através da administração de imunoglobulina anti-D. Esta imunoglobulina age destruindo os glóbulos vermelhos fetais Rh positivos na circulação materna antes que o sistema imune da mãe possa ser ativado. A profilaxia é indicada em todas as gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo, em situações de risco de hemorragia feto-materna, como abortamento (espontâneo ou induzido), gestação ectópica, gestação molar, procedimentos invasivos (amniocentese, biópsia de vilo corial, cordocentese), trauma abdominal e sangramento vaginal durante a gestação. Além das situações de risco, a imunoglobulina anti-D é administrada rotineiramente entre 28 e 32 semanas de gestação e, novamente, no pós-parto, se o recém-nascido for Rh positivo. A vigilância fetal é essencial no pré-natal de gestantes já sensibilizadas ou em risco, com monitoramento da anemia fetal através de ultrassonografia Doppler da artéria cerebral média. A não realização da profilaxia adequada pode ter consequências devastadoras para futuras gestações.

Perguntas Frequentes

Quando a imunoglobulina anti-D deve ser administrada em gestantes Rh negativo?

A imunoglobulina anti-D deve ser administrada em gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo em situações de risco de hemorragia feto-materna (abortamento, gestação ectópica, procedimentos invasivos, trauma abdominal) e rotineiramente entre 28-32 semanas de gestação e no pós-parto, se o recém-nascido for Rh positivo.

Qual o mecanismo de ação da imunoglobulina anti-D?

A imunoglobulina anti-D age destruindo os glóbulos vermelhos fetais Rh positivos que possam ter entrado na circulação materna, antes que o sistema imunológico da mãe possa reconhecê-los e produzir anticorpos anti-Rh, prevenindo assim a aloimunização.

Quais são as consequências da aloimunização Rh para o feto?

A aloimunização Rh pode levar à Doença Hemolítica Perinatal (DHP) em gestações subsequentes, causando anemia fetal, hidropsia fetal e, em casos graves, óbito fetal ou neonatal devido à destruição dos glóbulos vermelhos fetais pelos anticorpos maternos.

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