Doença Hemolítica Perinatal: Prevenção e Manejo

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Antigamente conhecida como Doença de Rhesus, ou Eritroblastose fetal, hoje mais comumente denominada de Doença Hemolítica Perinatal, ocorre quando os anticorpos maternos atravessam a barreira placentária e ligam-se a antígenos presentes nas células sanguíneas fetais, causando hemólise prematura dessas células. Considerando a gravidade da doença e a necessidade de intervenção analise as alternativas abaixo e assinale a INCORRETA:

Alternativas

  1. A) no caso de morte intrauterina, se o feto era Rh positivo, independentemente da idade gestacional, a administração da imunoglobulina anti-D deve ser feita imediatamente após o parto.
  2. B) somente os anticorpos IgG são capazes de provocar a Doença hemolítica perinatal (DHPH), pois eles atravessam a placenta.
  3. C) mulheres RhD negativas, em primeira gestação, ao gerarem conceptos RhD positivos, podem desenvolver a DHPH já nessa gestação.
  4. D) a sensibilização materna está envolvida no processo de desenvolvimento da DHPN pelos números de abortos e gestações anteriores, além de transfusões prévias e permeabilidade placentária.
  5. E) a imunoglobulina anti-D promove proteção de 98 a 99% quando administrada nas 72 horas seguintes do parto.

Pérola Clínica

DHPN em primigesta Rh- com feto Rh+ é rara na 1ª gestação, sensibilização ocorre no parto.

Resumo-Chave

A Doença Hemolítica Perinatal (DHPN) geralmente não afeta a primeira gestação de uma mãe RhD negativa com feto RhD positivo, pois a sensibilização materna (produção de anticorpos anti-D) ocorre principalmente durante o parto ou em eventos hemorrágicos prévios, afetando gestações subsequentes. A profilaxia com imunoglobulina anti-D é crucial para prevenir essa sensibilização.

Contexto Educacional

A Doença Hemolítica Perinatal (DHPN), anteriormente conhecida como Eritroblastose Fetal, é uma condição grave que resulta da incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o feto, mais comumente no sistema Rh. Ocorre quando uma mãe RhD negativa é sensibilizada por eritrócitos RhD positivos do feto, produzindo anticorpos que podem atravessar a placenta e destruir os glóbulos vermelhos fetais. A prevalência diminuiu significativamente com a introdução da imunoprofilaxia anti-D, mas ainda representa um desafio clínico importante. A fisiopatologia envolve a aloimunização materna, onde a exposição a antígenos fetais (geralmente durante o parto, aborto ou sangramento) leva à produção de anticorpos maternos, principalmente IgG. Esses anticorpos IgG atravessam a placenta e atacam os eritrócitos fetais, causando hemólise, anemia, hidropsia fetal e, em casos graves, morte intrauterina. O diagnóstico é feito através da tipagem sanguínea materna e fetal, pesquisa de anticorpos irregulares (Coombs indireto) e monitoramento fetal por ultrassonografia Doppler da artéria cerebral média para avaliar anemia. O tratamento e a prevenção são pilares fundamentais. A prevenção primária é realizada com a administração de imunoglobulina anti-D a todas as gestantes RhD negativas não sensibilizadas, em momentos chave da gestação e pós-parto. Em casos de DHPN estabelecida, o manejo pode incluir transfusões intrauterinas para corrigir a anemia fetal grave e, em alguns casos, parto prematuro. O prognóstico melhorou drasticamente com as intervenções modernas, mas a vigilância contínua é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a Doença Hemolítica Perinatal?

Os principais fatores de risco incluem mãe RhD negativa com feto RhD positivo, histórico de gestações anteriores com fetos RhD positivos sem profilaxia, abortos, sangramentos na gestação e transfusões sanguíneas prévias incompatíveis.

Quando a imunoglobulina anti-D deve ser administrada?

A imunoglobulina anti-D é administrada rotineiramente em gestantes RhD negativas por volta da 28ª semana de gestação e, novamente, dentro de 72 horas após o parto de um bebê RhD positivo, aborto, gravidez ectópica, sangramento vaginal, amniocentese ou trauma abdominal.

Por que os anticorpos IgG são os únicos capazes de causar DHPN?

Somente os anticorpos da classe IgG são pequenos o suficiente para atravessar a barreira placentária. Uma vez no feto, eles se ligam aos eritrócitos fetais RhD positivos, causando sua hemólise e levando à anemia fetal.

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