Doença Hemolítica Perinatal: Quadro Clínico e Fatores

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à doença hemolítica perinatal, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O quadro clínico da doença hemolítica perinatal depende do grau de hemólise, da capacidade eritropoiética e do tratamento aplicado intra-útero.
  2. B) A icterícia, tipicamente, se manifesta nas primeiras 24 horas de vida com rápido aumento do nível sérico da bilirrubina direta.
  3. C) A exossanguineotransfusão deve ser realizada em todos os recém-nascidos acometidos.
  4. D) O uso precoce de fototerapia de alta intensidade não controla o aumento do nível da bilirrubina nos pacientes com grau leve e moderado de hemólise.
  5. E) Ela é mais comum quando a tipagem da mãe é A, com fator Rh negativo.

Pérola Clínica

DHP: quadro clínico varia com grau de hemólise, eritropoiese e tratamento intrauterino.

Resumo-Chave

A doença hemolítica perinatal (DHP) é uma condição complexa onde a resposta imune materna ataca os eritrócitos fetais. A gravidade da DHP é multifatorial, dependendo da intensidade da hemólise, da capacidade do feto de compensar a anemia (eritropoiese) e da eficácia das intervenções terapêuticas realizadas durante a gestação.

Contexto Educacional

A Doença Hemolítica Perinatal (DHP), anteriormente conhecida como eritroblastose fetal, é uma condição imunológica na qual anticorpos maternos atravessam a placenta e destroem os eritrócitos fetais, resultando em anemia hemolítica. A incompatibilidade Rh é a causa mais comum e grave, mas outras incompatibilidades de grupos sanguíneos menores também podem causar DHP. A prevenção com imunoglobulina anti-Rh tem reduzido drasticamente a incidência da forma grave. A fisiopatologia envolve a sensibilização da mãe a antígenos eritrocitários fetais (geralmente RhD), levando à produção de anticorpos IgG que podem atravessar a placenta. Esses anticorpos se ligam aos eritrócitos fetais, marcando-os para destruição no sistema reticuloendotelial fetal, resultando em hemólise e anemia. A anemia pode levar a hidropsia fetal (edema generalizado, insuficiência cardíaca) em casos graves. O quadro clínico da DHP é altamente variável, dependendo do grau de hemólise, da capacidade compensatória da medula óssea fetal (eritropoiese) e da intervenção terapêutica intrauterina (como transfusões intrauterinas). O tratamento pós-natal pode incluir fototerapia para icterícia e, em casos mais graves, exossanguineotransfusão para remover bilirrubina e anticorpos, e corrigir a anemia. O manejo é complexo e exige acompanhamento multidisciplinar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que influenciam o quadro clínico da doença hemolítica perinatal?

O quadro clínico da DHP é influenciado pelo grau de hemólise dos eritrócitos fetais, pela capacidade do feto de produzir novos glóbulos vermelhos (eritropoiese) para compensar a anemia, e pela presença e eficácia de qualquer tratamento intrauterino.

A icterícia na DHP se manifesta sempre nas primeiras 24 horas de vida?

Embora a icterícia possa ser precoce na DHP, ela não se manifesta tipicamente nas primeiras 24 horas em todos os casos, e o aumento da bilirrubina é predominantemente indireta, não direta, devido à hemólise.

Quando a exossanguineotransfusão é indicada na DHP?

A exossanguineotransfusão é indicada em recém-nascidos com DHP grave, quando a fototerapia intensiva não é suficiente para controlar os níveis de bilirrubina indireta e prevenir a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), ou em casos de anemia grave.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo