HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020
Em relação à doença hemolítica perinatal, assinale a alternativa CORRETA.
DHP: quadro clínico varia com grau de hemólise, eritropoiese e tratamento intrauterino.
A doença hemolítica perinatal (DHP) é uma condição complexa onde a resposta imune materna ataca os eritrócitos fetais. A gravidade da DHP é multifatorial, dependendo da intensidade da hemólise, da capacidade do feto de compensar a anemia (eritropoiese) e da eficácia das intervenções terapêuticas realizadas durante a gestação.
A Doença Hemolítica Perinatal (DHP), anteriormente conhecida como eritroblastose fetal, é uma condição imunológica na qual anticorpos maternos atravessam a placenta e destroem os eritrócitos fetais, resultando em anemia hemolítica. A incompatibilidade Rh é a causa mais comum e grave, mas outras incompatibilidades de grupos sanguíneos menores também podem causar DHP. A prevenção com imunoglobulina anti-Rh tem reduzido drasticamente a incidência da forma grave. A fisiopatologia envolve a sensibilização da mãe a antígenos eritrocitários fetais (geralmente RhD), levando à produção de anticorpos IgG que podem atravessar a placenta. Esses anticorpos se ligam aos eritrócitos fetais, marcando-os para destruição no sistema reticuloendotelial fetal, resultando em hemólise e anemia. A anemia pode levar a hidropsia fetal (edema generalizado, insuficiência cardíaca) em casos graves. O quadro clínico da DHP é altamente variável, dependendo do grau de hemólise, da capacidade compensatória da medula óssea fetal (eritropoiese) e da intervenção terapêutica intrauterina (como transfusões intrauterinas). O tratamento pós-natal pode incluir fototerapia para icterícia e, em casos mais graves, exossanguineotransfusão para remover bilirrubina e anticorpos, e corrigir a anemia. O manejo é complexo e exige acompanhamento multidisciplinar.
O quadro clínico da DHP é influenciado pelo grau de hemólise dos eritrócitos fetais, pela capacidade do feto de produzir novos glóbulos vermelhos (eritropoiese) para compensar a anemia, e pela presença e eficácia de qualquer tratamento intrauterino.
Embora a icterícia possa ser precoce na DHP, ela não se manifesta tipicamente nas primeiras 24 horas em todos os casos, e o aumento da bilirrubina é predominantemente indireta, não direta, devido à hemólise.
A exossanguineotransfusão é indicada em recém-nascidos com DHP grave, quando a fototerapia intensiva não é suficiente para controlar os níveis de bilirrubina indireta e prevenir a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), ou em casos de anemia grave.
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