UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Em relação à doença hemolítica pelo sistema Rh, assinale a alternativa INCORRETA:
Coombs indireto positivo → Doppler ACM fetal para avaliar anemia, não artérias uterinas.
Diante de um Coombs indireto positivo em gestante Rh negativo sensibilizada, o monitoramento da anemia fetal é feito principalmente pelo Doppler da artéria cerebral média (ACM) fetal, que avalia o pico de velocidade sistólica (PVS). O Doppler das artérias uterinas é utilizado para avaliação de risco de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal, não para doença hemolítica fetal.
A doença hemolítica perinatal (DHP) pelo sistema Rh é uma condição grave causada pela aloimunização materna a antígenos eritrocitários fetais, resultando na destruição dos glóbulos vermelhos do feto. A sensibilização materna ocorre quando há exposição ao sangue fetal Rh positivo em uma mãe Rh negativo, geralmente em gestações anteriores, abortamentos ou procedimentos invasivos. A intensificação do processo hemolítico em gestações sucessivas é uma característica marcante, devido à produção de anticorpos IgG que atravessam a placenta. O diagnóstico da DHP envolve a detecção de anticorpos maternos (Coombs indireto) e o monitoramento fetal. Em casos de Coombs indireto positivo, a avaliação da anemia fetal é realizada principalmente pelo Doppler da artéria cerebral média (ACM) fetal, que mede o pico de velocidade sistólica (PVS). Um PVS elevado na ACM é um forte indicador de anemia fetal, guiando a necessidade de procedimentos como cordocentese e transfusão intrauterina. A hidropsia fetal é uma complicação grave da anemia fetal, indicando falência cardíaca e alto risco de óbito. O tratamento da DHP grave pode incluir transfusões intrauterinas. A prevenção é a chave, realizada pela administração de imunoglobulina anti-D (RhoGAM) em gestantes Rh negativo não sensibilizadas, em momentos estratégicos da gestação e pós-parto, ou após eventos de risco. É importante ressaltar que pacientes que abortam também correm risco de sensibilização, sendo o risco maior no abortamento induzido devido à maior manipulação e potencial de hemorragia feto-materna. A icterícia neonatal precoce e intensa é um sinal clássico da DHP no recém-nascido, exigindo fototerapia ou exsanguineotransfusão.
Os sinais de gravidade incluem anemia fetal progressiva, que pode levar a hidropsia fetal (acúmulo de líquido em duas ou mais cavidades), cardiomegalia, ascite e edema generalizado. A hidropsia fetal é um indicativo de doença grave e iminente risco de óbito fetal.
A profilaxia é feita com a imunoglobulina anti-D (RhoGAM) em gestantes Rh negativo não sensibilizadas, geralmente na 28ª semana de gestação e novamente nas primeiras 72 horas pós-parto, se o recém-nascido for Rh positivo. Também é indicada após eventos que possam causar hemorragia feto-materna, como abortamento, gravidez ectópica, sangramento vaginal, amniocentese ou trauma abdominal.
O Coombs indireto é um exame de triagem que detecta a presença de anticorpos anti-Rh no soro materno. Se positivo, indica que a mãe está sensibilizada e há risco de doença hemolítica para o feto Rh positivo. Seu monitoramento é crucial para guiar a conduta e a necessidade de intervenções fetais.
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