Icterícia Neonatal: Diagnóstico da Doença Hemolítica Isoimune ABO

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido de parto normal a termo apresenta icterícia com 24 horas de vida. Mãe: O +, RN: A+. Exame físico: discreta icterícia em face e parte superior do tórax. Exames laboratoriais: BT: 12 mg/dl; Coombs direto fracamente positivo, presença de esferócitos na lâmina de sangue periférico e teste da Fragilidade osmótica negativo. A hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Eliptocitose hereditária.
  2. B) Esferocitose hereditária.
  3. C) Doença hemolítica isoimune Rh.
  4. D) Doença hemolítica isoimune ABO.
  5. E) Deficiência congênita de piruvatoquinase.

Pérola Clínica

Icterícia RN < 24h + Coombs D+ + incompatibilidade ABO → Doença Hemolítica Isoimune ABO.

Resumo-Chave

A Doença Hemolítica Isoimune ABO é uma causa comum de icterícia neonatal precoce, caracterizada por incompatibilidade sanguínea materno-fetal (geralmente mãe O e RN A ou B), Coombs direto positivo e presença de esferócitos, mas com fragilidade osmótica normal, diferenciando-a da esferocitose hereditária.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é uma condição comum, mas a icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre patológica e requer investigação imediata. A Doença Hemolítica Isoimune ABO é uma das causas mais frequentes de icterícia precoce, ocorrendo em cerca de 10-15% das gestações com incompatibilidade ABO, embora a forma grave seja menos comum. É crucial reconhecer essa condição para prevenir complicações como o kernicterus. A fisiopatologia envolve a passagem de anticorpos maternos (geralmente anti-A ou anti-B, do tipo IgG) através da placenta, que se ligam aos eritrócitos fetais/neonatais, causando hemólise. O diagnóstico é baseado na história clínica (incompatibilidade ABO), icterícia precoce, Coombs direto positivo e achados laboratoriais como anemia, hiperbilirrubinemia indireta e presença de esferócitos. A diferenciação com outras causas de hemólise, como a esferocitose hereditária, é feita pelo teste da fragilidade osmótica, que é negativo na DHIA. O tratamento visa controlar a hiperbilirrubinemia, que pode incluir fototerapia intensiva e, em casos mais graves, exsanguineotransfusão. O acompanhamento rigoroso é essencial para monitorar os níveis de bilirrubina e prevenir neurotoxicidade. A prevenção primária não é possível como na doença Rh, mas o reconhecimento precoce e o manejo adequado são fundamentais para um bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais da Doença Hemolítica Isoimune ABO em recém-nascidos?

Os principais sinais incluem icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida, palidez, hepatoesplenomegalia e, em casos graves, hidropsia fetal. Laboratorialmente, há anemia, hiperbilirrubinemia indireta e Coombs direto positivo.

Como diferenciar a Doença Hemolítica Isoimune ABO da esferocitose hereditária?

Ambas podem apresentar esferócitos na lâmina, mas na DHIA, o teste de Coombs direto é positivo e o teste da fragilidade osmótica é negativo. Na esferocitose hereditária, o Coombs é negativo e a fragilidade osmótica é positiva.

Qual a importância do teste de Coombs direto na investigação da icterícia neonatal?

O Coombs direto detecta anticorpos (geralmente IgG) ligados à superfície dos eritrócitos do recém-nascido, indicando hemólise mediada por anticorpos, como na doença hemolítica isoimune (ABO ou Rh).

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