Doença de Hartnup: Fisiopatologia e Absorção de Proteínas

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 19 anos é diagnosticado com a Doença de Hartnup, uma condição genética rara caracterizada por um defeito no transportador SLC6A19, responsável pelo transporte de aminoácidos neutros (como o triptofano) na membrana apical dos enterócitos e túbulos renais. Clinicamente, o paciente apresenta episódios de dermatite fotossensível e ataxia cerebelar intermitente. Curiosamente, apesar da incapacidade quase total de absorver triptofano em sua forma livre no lúmen intestinal, o paciente não apresenta sinais de desnutrição proteica grave e mantém níveis plasmáticos de aminoácidos essenciais acima do esperado para o grau de disfunção do transportador. Considerando a fisiologia da absorção de macronutrientes, qual mecanismo explica a manutenção da nutrição proteica nesse cenário?

Alternativas

  1. A) Difusão facilitada paraceular de aminoácidos essenciais estimulada pelo gradiente osmótico.
  2. B) Endocitose apical de proteínas íntegras mediada por receptores de clatrina no íleo.
  3. C) Captação de dipeptídeos e tripeptídeos via transportador PepT1 acoplado ao gradiente de prótons.
  4. D) Transporte ativo primário de aminoácidos mediado pela hidrólise direta de ATP na borda em escova.

Pérola Clínica

A absorção de di e tripeptídeos é cineticamente mais rápida do que a absorção de uma mistura equivalente de aminoácidos livres, o que é explorado em fórmulas nutricionais hidrolisadas.

Contexto Educacional

A Doença de Hartnup é um distúrbio metabólico raro que exemplifica a complexidade da absorção de macronutrientes. O defeito no transportador SLC6A19 impede a captação de aminoácidos neutros, como o triptofano, na borda em escova do intestino delgado e nos túbulos renais proximais. Clinicamente, isso resulta em sintomas semelhantes à pelagra devido à falta de triptofano para a síntese de niacina. A manutenção da nutrição proteica nesses pacientes é explicada pela redundância dos sistemas de transporte. Enquanto o transporte de aminoácidos livres está comprometido, o transportador PepT1 (SLC15A1) permanece funcional. Este sistema é altamente eficiente e transporta dipeptídeos e tripeptídeos acoplados ao movimento de íons H+, garantindo que o organismo receba os aminoácidos necessários para a síntese proteica. O tratamento geralmente envolve suplementação de niacina ou nicotinamida e uma dieta rica em proteínas para maximizar a absorção via peptídeos. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar crises neurológicas e dermatológicas desencadeadas por estresse, febre ou exposição solar.

Perguntas Frequentes

Por que o paciente tem sintomas se ele consegue absorver peptídeos?

Porque o defeito também ocorre nos rins (túbulo proximal), gerando perda urinária excessiva de aminoácidos (aminoacidúria), o que reduz a disponibilidade sistêmica de triptofano para produzir Niacina (Vitamina B3).

O PepT1 usa Sódio?

Não diretamente. Ele usa o gradiente de H+ (prótons). O sódio é usado pelo trocador NHE3 para colocar o H+ para fora da célula, criando esse gradiente.

O que acontece com os peptídeos dentro da célula?

Eles são quase totalmente hidrolisados por peptidases citosólicas em aminoácidos livres antes de passarem para o sangue.

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