IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021
Um paciente de 26 anos procura atendimento por quadro de mialgia súbita, astenia, náuseas, parestesia de membros inferiores, redução do débito urinário e a urina com cor marrom escura cerca de 20 horas após comer peixe de água doce da espécie Tambaqui. Ao exame físico paciente desidratado (2+/4+), hipocorado 1+/4+, anictérico, taquipneico e acianótico. Sinais vitais: FC 110 BPM; PA: 88X58 mmHg; FR: 28 IRPM; Tax 37,9º C. Foram solicitados exames laboratoriais (sangue) que revelaram bilirrubina total de 1,2mg/dl, bilirrubina direta de 0,8mg/dl, Aspartato Aminotransferase de 800 UI/L, Alanina Aminotransferase de 150 UI/L, Creatinoquinase Total de 20.000 UI/L, Creatinoquinase Fração MB de 180 UI/L, Lactato desidrogenase 900 UI/L. Leucócitos de 12.000, com diferencial 0/0/0/0/5/65/20/10, Plaquetas: 160.000, Hemoglobina de 13 g/dl, Uréia de 80mg/dl, Creatinina de 2,0 mg/dl, Sódio de 136 mEq/L, Potássio de 5,8 mEq/L, Cloreto de 102 mEq/L e Bicarbonato de 10 mEq/L. Assinale a alternativa que contém, respectivamente o provável diagnóstico, as alterações encontradas no exame de urina e a conduta terapêutica recomendada.
Doença de Haff → rabdomiólise por toxina do peixe (Tambaqui) → mioglobinúria (hemoglobina + na urina sem hematúria) + IRA + hipercalemia. Tratamento: hidratação vigorosa.
A Doença de Haff é uma rabdomiólise aguda causada por uma toxina termorresistente presente em peixes de água doce. Caracteriza-se por mialgia intensa, urina escura (mioglobinúria), elevação maciça de CK e pode levar à insuficiência renal aguda e distúrbios eletrolíticos graves como hipercalemia e acidose metabólica. A hidratação venosa vigorosa é crucial para prevenir ou minimizar a lesão renal.
A Doença de Haff é uma síndrome de rabdomiólise aguda causada pela ingestão de peixes de água doce contaminados com uma toxina termorresistente, ainda não completamente identificada, mas associada a algas ou fungos na cadeia alimentar dos peixes. Embora rara, é de grande importância clínica devido ao potencial de complicações graves, como insuficiência renal aguda e distúrbios eletrolíticos. O reconhecimento precoce é fundamental para um manejo adequado e para evitar desfechos desfavoráveis. A fisiopatologia envolve a lesão muscular maciça, com liberação de mioglobina na circulação. A mioglobina é nefrotóxica e pode precipitar nos túbulos renais, causando necrose tubular aguda. O diagnóstico é baseado na tríade de história de consumo de peixe, mialgia intensa e urina escura, juntamente com elevação maciça da creatinoquinase (CK) e evidência de mioglobinúria (tira reagente positiva para hemoglobina sem hematúria microscópica). Distúrbios eletrolíticos como hipercalemia e acidose metabólica são comuns. O tratamento visa principalmente a proteção renal através de hidratação venosa vigorosa para manter um alto débito urinário. A alcalinização da urina com bicarbonato pode ser considerada para reduzir a precipitação de mioglobina. O manejo da hipercalemia e da acidose metabólica é crucial. Em casos de insuficiência renal grave ou hipercalemia refratária, a hemodiálise de urgência pode ser necessária. O prognóstico geralmente é bom com tratamento precoce e agressivo.
Os principais sinais e sintomas incluem mialgia súbita e intensa, astenia, náuseas, parestesias, redução do débito urinário e urina de coloração marrom escura. A história de consumo de peixe de água doce, como o Tambaqui, é um forte indicativo.
Ambas podem causar positividade para hemoglobina na tira reagente e urina escura. No entanto, a mioglobinúria não apresenta hemácias no exame microscópico do sedimento urinário, enquanto a hematúria sim. A elevação acentuada da creatinoquinase (CK) é um marcador chave da rabdomiólise e mioglobinúria.
A conduta terapêutica inicial e mais importante é a hidratação venosa vigorosa com soro fisiológico para promover a diurese e prevenir a insuficiência renal aguda. O monitoramento dos eletrólitos, especialmente o potássio, é crucial devido ao risco de hipercalemia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo