Doença de Graves: Diagnóstico e Exames Iniciais Essenciais

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 36 anos de idade, queixa-se, há cerca de 3 meses, de perda de peso não quantificada, febre baixa ocasional, insônia e palpitações. Refere apetite preservado e nega outros sintomas. Ao exame, apresenta abaulamento em porção medial da região cervical anterior. Qual é o diagnóstico e quais são os exames iniciais necessários (respectivamente), além de TSH e T4 livre?

Alternativas

  1. A) Doença de Graves; T3 e cintilografia de tireoide
  2. B) Tireoidite de Hashimoto; USG de tireoide
  3. C) Adenoma hiperfuncionante autônomo; USG de tireoide
  4. D) Bócio multinodular tóxico; T3 e cintilografia de tireoide

Pérola Clínica

Hipertireoidismo + bócio difuso + sintomas sistêmicos → Doença de Graves. Exames: T3 e cintilografia.

Resumo-Chave

A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, caracterizada por autoanticorpos (TRAb) que estimulam a tireoide. Os sintomas são inespecíficos, mas a tríade clássica inclui bócio difuso, oftalmopatia e dermopatia. A investigação inicial, após TSH e T4 livre, inclui T3 total e cintilografia para confirmar a etiologia.

Contexto Educacional

A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, uma condição autoimune caracterizada pela produção de autoanticorpos (TRAb) que estimulam o receptor de TSH na tireoide, levando à hiperfunção glandular. Afeta predominantemente mulheres jovens e de meia-idade, sendo crucial para o residente reconhecer seus sinais e sintomas inespecíficos, como perda de peso, palpitações, insônia e bócio difuso, que podem mimetizar outras condições. A fisiopatologia envolve a autoimunidade contra o receptor de TSH, resultando em produção excessiva de T3 e T4. O diagnóstico inicial é feito com TSH suprimido e T4 livre elevado. No entanto, para diferenciar a Doença de Graves de outras tireotoxicose (como tireoidites), são necessários exames complementares. A dosagem de T3 total é importante, pois alguns pacientes podem ter tireotoxicose por T3 isolada. A cintilografia de tireoide com iodo radioativo ou tecnécio-99m é fundamental para avaliar a captação e a morfologia da glândula, mostrando captação difusa e aumentada na Doença de Graves, o que a distingue de tireoidites (baixa captação) ou nódulos tóxicos (captação focal). O tratamento da Doença de Graves pode incluir drogas antitireoidianas (metimazol, propiltiouracil), iodo radioativo ou cirurgia (tireoidectomia). A escolha depende de fatores como idade do paciente, tamanho do bócio, gravidade dos sintomas e presença de oftalmopatia. O residente deve estar atento à monitorização dos efeitos adversos das drogas antitireoidianas, como agranulocitose, e ao manejo das manifestações extratireoidianas, como a oftalmopatia de Graves, que requer abordagem multidisciplinar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da Doença de Graves?

Os sintomas incluem perda de peso, palpitações, insônia, febre baixa, intolerância ao calor, e frequentemente bócio difuso, oftalmopatia e dermopatia.

Por que a cintilografia de tireoide é importante no diagnóstico da Doença de Graves?

A cintilografia avalia a captação de iodo e a morfologia da glândula, diferenciando a Doença de Graves (captação difusa e aumentada) de outras causas de tireotoxicose, como tireoidites.

Qual o papel do T3 total na investigação do hipertireoidismo?

O T3 total é útil para confirmar o hipertireoidismo, especialmente em casos de tireotoxicose por T3, onde o T4 livre pode estar normal, mas o T3 elevado.

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