Doença de Graves: Diagnóstico e Tratamento com Metimazol

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 38 anos foi internada na enfermaria de clínica médica de hospital universitário de ampla complexidade, em função de quadro de fibrilação atrial paroxística com alta resposta ventricular, sem instabilidade hemodinâmica, mas associada a queixas recentes de emagrecimento não intencional, irritabilidade e tremores finos de extremidades. Na anamnese dirigida, a paciente confirmava a presença de intolerância ao calor, fadiga, fraqueza, amenorreia e hiperdefecação. Ao exame físico, além da taquiarritmia, foram observados bócio difuso (com sopro à ausculta local), exoftalmia, tremores palpebrais frequentes, mixedema pré-tibial e sobre o hálux direito, hipocratismo digital e pele quente e úmida. Administradas duas doses sequenciais, com intervalos de 5 minutos, de metoprolol intravenoso (5 mg), após redução da frequência cardíaca, ocorreu reversão da arritmia para o ritmo sinusal. Solicitados exames complementares, resultados revelaram TSH < 0,004 mUI/L (valor de referência: 0,5 a 4,5 mUI/L) e T4 livre = 4,2 ng/dL (valor de referência: 0,9 a 2,0 ng/dL). Além de ser mantido o tratamento com beta-bloqueador, considerando o fato de a paciente nunca ter sido previamente tratada de sua doença, a equipe médica optou por instituir terapêutica direcionada à inibição da função da enzima tireoperoxidase, reduzindo a oxidação e organificação do iodo na tireoide, além de promover a redução dos níveis de autoanticorpos circulantes. A intervenção terapêutica instituída nesse sentido foi

Alternativas

  1. A) radioiodo.
  2. B) dexametasona.
  3. C) metimazol.
  4. D) colestiramina.

Pérola Clínica

Doença de Graves: TSH ↓, T4 ↑, bócio, exoftalmia. Tratamento inicial: betabloqueador + antitireoidiano (Metimazol).

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de hipertireoidismo, provavelmente Doença de Graves, evidenciado pelos sintomas, sinais (exoftalmia, mixedema pré-tibial, bócio com sopro) e exames laboratoriais. O metimazol é o antitireoidiano de escolha para inibir a tireoperoxidase e a síntese hormonal.

Contexto Educacional

A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, uma condição autoimune caracterizada pela produção de autoanticorpos (TRAb) que estimulam o receptor de TSH na tireoide, levando à superprodução hormonal. É mais prevalente em mulheres jovens e de meia-idade e sua importância clínica reside nas múltiplas manifestações sistêmicas, incluindo cardiovasculares (como fibrilação atrial), oculares (exoftalmia) e dermatológicas (mixedema pré-tibial). O diagnóstico é baseado na clínica, com sintomas como taquicardia, tremores, perda de peso, intolerância ao calor, e confirmado por exames laboratoriais que revelam TSH suprimido e T4 livre elevado. A presença de bócio difuso e exoftalmia são achados característicos. A fisiopatologia envolve a ativação autoimune da tireoide, e a suspeita deve ser alta em pacientes com taquiarritmias sem causa aparente ou sintomas multissistêmicos. O tratamento inicial visa controlar os sintomas com betabloqueadores e reduzir a produção hormonal com antitireoidianos. O Metimazol é a droga de primeira linha, atuando na inibição da tireoperoxidase. Outras opções incluem propiltiouracil (preferido no primeiro trimestre da gravidez ou em crise tireotóxica), iodo radioativo ou tireoidectomia. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas requer monitoramento contínuo para evitar recorrências ou complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Doença de Graves?

Os sinais e sintomas clássicos incluem bócio difuso, exoftalmia, tremores finos, intolerância ao calor, perda de peso, taquicardia ou fibrilação atrial, pele quente e úmida, e mixedema pré-tibial.

Qual o mecanismo de ação do Metimazol no tratamento do hipertireoidismo?

O Metimazol atua inibindo a enzima tireoperoxidase, que é essencial para a oxidação e organificação do iodo na tireoide, reduzindo assim a síntese de hormônios tireoidianos (T3 e T4). Também pode ter um efeito imunomodulador, reduzindo os níveis de autoanticorpos.

Como a fibrilação atrial se relaciona com o hipertireoidismo e qual a conduta inicial?

A fibrilação atrial é uma complicação comum do hipertireoidismo devido ao efeito direto dos hormônios tireoidianos no miocárdio. A conduta inicial envolve o controle da frequência cardíaca com betabloqueadores (como o metoprolol) e o início do tratamento para a doença tireoidiana subjacente.

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