CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011
O paciente da figura abaixo tem como diagnóstico mais provável:
Exoftalmia + Retração palpebral + Edema periorbitário → Sugere Doença de Graves.
A orbitopatia de Graves é a causa mais comum de proptose em adultos, resultando da inflamação e aumento de volume dos músculos extraoculares e gordura orbital.
A orbitopatia de Graves é uma condição autoimune onde anticorpos direcionados ao receptor de TSH reagem de forma cruzada com antígenos nos fibroblastos orbitais. Isso desencadeia a produção de glicosaminoglicanos, inflamação e subsequente fibrose dos tecidos orbitais. O manejo depende da fase da doença (ativa/inflamatória vs. estável/fibrótica). Na fase ativa, o tratamento foca no controle da função tireoidiana, cessação do tabagismo (principal fator de risco modificável) e corticoterapia sistêmica ou radioterapia orbital. Na fase estável, procedimentos cirúrgicos como descompressão de órbita, cirurgia de estrabismo e correção de retração palpebral são indicados para reabilitação funcional e estética.
Os sinais cardinais incluem a retração palpebral (Sinal de Dalrymple), proptose (exoftalmia), edema periorbitário e conjuntival (quemose), e restrição da motilidade ocular extrínseca devido ao espessamento muscular. O sinal de Graefe (atraso da pálpebra superior ao olhar para baixo) também é característico. Em casos graves, pode haver neuropatia óptica compressiva por compressão do nervo óptico no ápice orbital pelos músculos hipertrofiados.
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sinais oculares e na associação com disfunção tireoidiana (hipertireoidismo). Exames de imagem como Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM) de órbitas são fundamentais para avaliar o espessamento dos ventres musculares (poupando os tendões) e excluir outras massas orbitais. A dosagem de anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb) auxilia na confirmação da etiologia autoimune.
Na orbitopatia de Graves, os músculos extraoculares são acometidos em uma ordem preferencial, frequentemente lembrada pelo mnemônico 'I'M SLOW': Reto Inferior (mais comum), Reto Medial, Reto Superior, Lateral e Oblíquos. O espessamento desses músculos causa diplopia e restrição do olhar, sendo o reto inferior o principal responsável pela limitação da elevação ocular.
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