UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Paciente feminina de 15 anos vem em consulta referindo ansiedade, diarreia, palpitações e sudorese excessiva. Ao exame físico: peso 52 kg e estatura 162 cm, bócio com frêmito, exoftalmia com hiperemia ocular, frequência cardíaca 108 bpm e tremores de extremidades. O peso anterior era 55 kg. Considerando a principal hipótese diagnóstica etiológica, além de função tireoidiana, assinale a alternativa que apresenta os exames complementares que devem ser solicitados:
Paciente jovem com tireotoxicose + bócio difuso com frêmito + oftalmopatia = Doença de Graves → solicitar TRAb.
A Doença de Graves é a principal causa de hipertireoidismo em jovens. A presença de manifestações extratireoidianas, como oftalmopatia (exoftalmia), é um forte indicativo. A confirmação laboratorial da etiologia autoimune é feita pela dosagem do TRAb.
A Doença de Graves é uma condição autoimune que representa a causa mais comum de hipertireoidismo, especialmente em indivíduos jovens e do sexo feminino. A doença é caracterizada pela produção de autoanticorpos contra o receptor do hormônio estimulante da tireoide (TSH), conhecidos como TRAb (anticorpo anti-receptor de TSH). Esses anticorpos estimulam a glândula tireoide a produzir e liberar hormônios tireoidianos em excesso, levando ao estado de tireotoxicose. O quadro clínico clássico combina manifestações de tireotoxicose (perda de peso, palpitações, tremores, ansiedade, intolerância ao calor) com achados específicos da doença. Estes incluem o bócio difuso e vascularizado (que pode apresentar sopro ou frêmito ao exame físico), a oftalmopatia de Graves (exoftalmia, retração palpebral, quemose) e, mais raramente, a dermopatia (mixedema pré-tibial). A presença desses sinais extratireoidianos é altamente sugestiva do diagnóstico. O diagnóstico laboratorial se baseia na confirmação do hipertireoidismo primário (TSH suprimido com T4 livre e/ou T3 elevados) e na detecção do TRAb, que confirma a etiologia autoimune. A solicitação de hemograma e enzimas hepáticas (TGO, TGP) é importante como avaliação basal, visto que a própria tireotoxicose pode causar alterações e as drogas antitireoidianas (DAT) podem ter efeitos adversos hematológicos e hepáticos. O tratamento visa controlar a produção hormonal e pode incluir DAT (metimazol, propiltiouracil), iodo radioativo ou tireoidectomia.
Além dos sintomas de tireotoxicose (perda de peso, palpitações, tremor, intolerância ao calor), a Doença de Graves se caracteriza por achados extratireoidianos: oftalmopatia (exoftalmia, retração palpebral, diplopia), bócio difuso (frequentemente com sopro ou frêmito) e, mais raramente, dermopatia (mixedema pré-tibial).
A tireotoxicose por si só pode causar alterações nas enzimas hepáticas. Além disso, as drogas antitireoidianas de primeira linha (metimazol, propiltiouracil) têm potencial hepatotóxico, sendo crucial ter valores basais antes de iniciar o tratamento para monitoramento.
O TRAb é um anticorpo que se liga ao receptor de TSH na tireoide e o estimula de forma contínua, mimetizando a ação do TSH e causando a produção excessiva de hormônios tireoidianos. Sua presença em um paciente com hipertireoidismo é altamente específica para a etiologia autoimune da Doença de Graves.
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