Doença de Graves: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 48 anos de idade, queixa-se de perda de peso de 10 kg em 3 meses. Refere que há 4 meses vem apresentando calor, sudorese, tremor de extremidades e palpitações. Há 2 meses, percebeu o pescoço mais inchado e, há 1 mês, que os olhos estão vermelhos, o que atribuiu ao uso de um novo creme cosmético. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Hipertiroidismo por tiroidite subaguda.
  2. B) Hipertiroidismo de origem autoimune.
  3. C) Hipertiroidismo por tumor produtor de TSH.
  4. D) Doença ocular da tiroide secundária ao estímulo de TSH.

Pérola Clínica

Hipertiroidismo + Bócio Difuso + Orbitopatia = Doença de Graves (Etiologia Autoimune).

Resumo-Chave

A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertiroidismo, caracterizada pela produção de anticorpos (TRAb) que estimulam o receptor de TSH, gerando bócio e sinais oculares específicos.

Contexto Educacional

A Doença de Graves é uma desordem autoimune onde linfócitos B produzem anticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb). Clinicamente, manifesta-se pela síndrome de tireotoxicose (perda de peso, taquicardia, tremores, intolerância ao calor) associada ao bócio difuso e manifestações extratireoidianas, como a orbitopatia (exoftalmia, retração palpebral) e, raramente, o mixedema pré-tibial. O diagnóstico laboratorial revela TSH suprimido e níveis elevados de T4 livre e T3. A presença de orbitopatia clinicamente evidente em um paciente com hipertiroidismo é suficiente para o diagnóstico de Graves. O tratamento visa o controle do estado tireotóxico, geralmente iniciado com betabloqueadores para alívio sintomático e drogas antitireoidianas para controle da síntese hormonal.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do TRAb no diagnóstico da Doença de Graves?

O anticorpo anti-receptor de TSH (TRAb) é o marcador patognomônico da Doença de Graves. Ele atua mimetizando o TSH e estimulando a glândula tireoide a produzir hormônios em excesso. Sua detecção no soro confirma a etiologia autoimune do hipertiroidismo, sendo especialmente útil em casos onde a apresentação clínica é atípica ou quando não há orbitopatia evidente.

Como diferenciar a Doença de Graves de uma tireoidite subaguda?

A diferenciação é feita principalmente pela captação de iodo radioativo (RAIU). Na Doença de Graves, a captação é elevada e difusa, refletindo a hiperfunção glandular. Na tireoidite subaguda, a captação é baixa ou nula, pois o excesso de hormônios no sangue decorre da liberação de hormônios pré-formados devido à inflamação/destruição folicular, e não de síntese aumentada.

Quais as principais opções de tratamento para o hipertiroidismo de Graves?

As três modalidades principais são: 1) Drogas antitireoidianas (como Metimazol ou Propiltiouracil), que inibem a síntese hormonal; 2) Radioiodoterapia (Iodo-131), que promove a destruição progressiva do tecido tireoidiano; e 3) Tireoidectomia total ou subtotal, indicada em casos de bócio volumoso, suspeita de malignidade ou desejo da paciente.

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