FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Mulher, 34 anos, apresenta sintomas de palpitações, tremores nas mãos e perda de peso nos últimos meses. Ao exame físico, foram observadas taquicardia e bócio difuso. Os exames laboratoriais revelaram TSH suprimido e níveis elevados de T4 livre e T3. Após avaliação adicional, foi confirmado o diagnóstico de doença de Graves. Qual é a abordagem terapêutica inicial mais adequada para essa paciente?
Metimazol + Betabloqueador = Tratamento inicial padrão na Doença de Graves.
O tratamento inicial da Doença de Graves combina tionamidas (Metimazol) para bloquear a síntese hormonal e betabloqueadores para controle rápido dos sintomas adrenérgicos.
A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, caracterizada por bócio difuso e anticorpos anti-receptor de TSH (TRAB). O tratamento visa reduzir a produção de hormônios tireoidianos e controlar as manifestações sistêmicas. A escolha do Metimazol como primeira linha é baseada em diretrizes internacionais (ATA/ETA). O uso concomitante de betabloqueadores é fundamental para a qualidade de vida do paciente no início do quadro. Opções definitivas como iodo radioativo ou tireoidectomia são consideradas se houver falha no tratamento medicamentoso ou recidiva.
O Metimazol é a droga de escolha devido à sua maior meia-vida (permitindo dose única diária), eficácia mais rápida em atingir o eutireoidismo e, principalmente, menor risco de hepatotoxicidade grave. O PTU é reservado para o primeiro trimestre da gestação (devido ao risco de malformações pelo metimazol) e para o tratamento da tempestade tireotóxica, onde sua ação de inibir a conversão periférica de T4 em T3 é vantajosa.
Os betabloqueadores, como o propranolol ou atenolol, são usados para o controle sintomático imediato. Eles reduzem a taquicardia, tremores, ansiedade e intolerância ao calor, bloqueando os efeitos do excesso de hormônio tireoidiano no sistema nervoso simpático. Eles não tratam a causa base, mas são essenciais até que as tionamidas reduzam os níveis hormonais, o que leva semanas.
O efeito colateral mais temido é a agranulocitose (contagem de neutrófilos < 500), que ocorre em cerca de 0,3% dos pacientes. Os pacientes devem ser orientados a procurar o médico imediatamente e suspender a medicação se apresentarem febre súbita ou dor de garganta. Outros efeitos incluem hepatite (mais comum com PTU) e vasculite ANCA-positiva.
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