Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023
Paciente de 40 anos, sexo feminino, vai à consulta devido a nervosismo, intolerância ao calor, palpitações e perda de peso. Ao exame foi constatada taquicardia, pele quente, fina e úmida. A palpação da região anterior do pescoço mostrou aumento difuso da tireóide. Os exames laboratoriais mostraram diminuição do TSH e aumento de T3 eT4. Em relação a este caso e com seus conhecimentos sobre a doença assinale a alternativa ERRADA:
Oftalmopatia de Graves pode ocorrer antes, durante ou após o hipertireoidismo, não o precede obrigatoriamente.
A oftalmopatia de Graves é uma manifestação autoimune distinta do hipertireoidismo, podendo surgir em qualquer fase da doença. A afirmação de que ela geralmente precede o quadro clínico é incorreta, e o risco de desenvolvê-la persiste mesmo após o tratamento da disfunção tireoidiana.
A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, uma condição autoimune caracterizada pela produção de anticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb), que levam à hiperfunção da glândula tireoide. Afeta predominantemente mulheres jovens e de meia-idade, manifestando-se com sintomas de hipermetabolismo e, em muitos casos, oftalmopatia e dermopatia de Graves. O diagnóstico é confirmado pela tríade de TSH suprimido, T3/T4 elevados e presença de TRAb. A oftalmopatia de Graves é uma manifestação autoimune distinta, causada por autoanticorpos que reagem com antígenos nos fibroblastos orbitários, levando à inflamação e edema dos músculos extraoculares e tecidos moles. É crucial entender que a oftalmopatia pode ocorrer antes, durante ou após o desenvolvimento do hipertireoidismo, e o risco de desenvolvê-la ou agravá-la persiste mesmo após o tratamento da disfunção tireoidiana. As opções de tratamento para o hipertireoidismo incluem drogas antitireoidianas (tionamidas como propiltiouracil e metimazol), iodo radioativo e tireoidectomia. O tratamento com tionamidas pode levar à remissão em alguns casos, mas muitos pacientes necessitam de terapia definitiva. O preparo pré-operatório para tireoidectomia é vital, garantindo que o paciente esteja eutireoideo e recebendo iodeto de potássio para reduzir a vascularização da tireoide e minimizar riscos cirúrgicos.
Os sintomas incluem nervosismo, intolerância ao calor, palpitações, perda de peso, sudorese excessiva, tremores, taquicardia, bócio difuso e, em alguns casos, oftalmopatia e dermopatia.
O iodo radioativo (I-131) é uma opção de tratamento que destrói as células tireoidianas hiperativas, levando à redução da produção hormonal. É eficaz, mas pode resultar em hipotireoidismo permanente em uma porcentagem significativa de casos.
O paciente deve estar eutireoideo antes da cirurgia, geralmente com tionamidas. Solução de iodeto de potássio (Lugol) é administrada nos dias pré-operatórios para reduzir a vascularização da glândula e diminuir o risco de tempestade tireoidiana.
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