Doença Granulomatosa Crônica: Diagnóstico e Fisiopatologia

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um menino de 5 anos de idade é levado ao serviço de infectologia devido a episódios recorrentes de linfadenite supurativa, abscessos cutâneos por Staphylococcus aureus e uma pneumonia fúngica recente por Aspergillus fumigatus. O exame físico revela cicatrizes de drenagens prévias e hepatosplenomegalia persistente. Avaliações laboratoriais mostram contagem normal de linfócitos T e B, além de níveis de imunoglobulinas dentro da normalidade para a idade. No entanto, um teste funcional de neutrófilos utilizando diidrorodamina (DHR) por citometria de fluxo revela uma ausência de deslocamento de fluorescência após estimulação com PMA (acetato de miristato de forbol). Com base no mecanismo fisiopatológico subjacente, qual é a falha fundamental apresentada por este paciente?

Alternativas

  1. A) Incapacidade de realizar a quimiotaxia e migração transendotelial de neutrófilos.
  2. B) Defeito na fusão do fagossomo com o lisossomo dentro do citoplasma dos fagócitos.
  3. C) Disfunção no complexo enzimático NADPH oxidase, impedindo a explosão oxidativa.
  4. D) Deficiência na ativação da via clássica do sistema complemento para opsonização.

Pérola Clínica

Paciente com abscessos de repetição e infecção por Aspergillus? Pense em DGC. Lembre-se: organismos catalase-positivos 'neutralizam' o peróxido de hidrogênio, deixando o neutrófilo sem munição.

Contexto Educacional

A Doença Granulomatosa Crônica (DGC) é uma imunodeficiência primária rara, mas grave, caracterizada pela incapacidade dos fagócitos (neutrófilos, macrófagos) de gerar a explosão oxidativa necessária para eliminar certos microrganismos. É um tema crucial em pediatria, infectologia e imunologia, com implicações significativas para a prática clínica e a preparação para provas de residência. A fisiopatologia da DGC reside em mutações nos genes que codificam as subunidades do complexo enzimático NADPH oxidase. Este complexo é responsável pela produção de superóxido e outras espécies reativas de oxigênio (ROS), que são bactericidas e fungicidas. Sem uma NADPH oxidase funcional, os fagócitos não conseguem destruir patógenos intracelulares, levando a infecções recorrentes por bactérias catalase-positivas (ex: Staphylococcus aureus, Nocardia) e fungos (ex: Aspergillus spp.), além da formação de granulomas inflamatórios. O diagnóstico é feito pelo teste de diidrorodamina (DHR) ou NBT, que avaliam a capacidade de explosão oxidativa. O tratamento da DGC envolve profilaxia antimicrobiana contínua (antibióticos e antifúngicos), tratamento agressivo das infecções agudas e, em casos selecionados, transplante de células-tronco hematopoéticas. O prognóstico melhorou significativamente com o diagnóstico precoce e a profilaxia, mas a doença ainda acarreta morbidade e mortalidade consideráveis. A suspeita deve surgir em crianças com infecções graves e recorrentes, especialmente por patógenos incomuns ou com formação de abscessos e granulomas.

Perguntas Frequentes

Por que apenas bactérias catalase-positivas são um problema?

Bactérias catalase-negativas produzem H2O2 como subproduto e não o destroem. O neutrófilo com DGC 'rouba' esse H2O2 para matar a bactéria. Já as catalase-positivas destroem o próprio H2O2, não deixando nada para o neutrófilo usar.

Qual o padrão de herança mais comum?

Cerca de 70% dos casos são ligados ao cromossomo X (defeito na subunidade gp91phox).

O que o teste de DHR mede exatamente?

Ele mede a oxidação da diidrorodamina em rodamina (que é fluorescente) pela presença de espécies reativas de oxigênio dentro da célula.

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