IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023
A doença falciforme é uma das alterações genéticas mais frequentes no Brasil e faz parte de um grupo de doenças genéticas caracterizadas pela predominância da hemoglobina (Hb) S nas hemácias, sendo a anemia falciforme (Hb SS) o genótipo mais frequente. Em relação a essa patologia, assinale a alternativa correta.
Crises álgicas vaso-oclusivas são a principal causa de atendimento de emergência na doença falciforme.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia grave onde as crises álgicas, resultantes da vaso-oclusão por hemácias em forma de foice, são a manifestação mais comum e a principal razão para buscar atendimento de emergência, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária autossômica recessiva, caracterizada pela produção de hemoglobina S (Hb S). No Brasil, é a doença genética mais comum, com a anemia falciforme (Hb SS) sendo o genótipo mais frequente e grave. A presença da Hb S leva à polimerização da hemoglobina em condições de hipóxia, acidose ou desidratação, deformando as hemácias para uma forma de foice. Essas hemácias falcizadas são rígidas, têm vida útil reduzida e tendem a ocluir pequenos vasos sanguíneos. A principal manifestação clínica e a causa mais comum de atendimento médico de emergência para pacientes com doença falciforme são as crises álgicas, também conhecidas como crises vaso-oclusivas. Elas resultam da oclusão microvascular, levando a isquemia e dor intensa em ossos, articulações, abdome e tórax. A gravidade da doença é variável, mas a morbimortalidade está mais relacionada às complicações vaso-oclusivas e infecciosas do que a hemorragias de difícil controle. Outras complicações importantes incluem a síndrome torácica aguda, o acidente vascular cerebral (predominantemente isquêmico na infância), infecções graves (devido à asplenia funcional, especialmente por bactérias encapsuladas), priapismo e necrose avascular. A triagem neonatal para doença falciforme é realizada no Brasil através do teste do pezinho, permitindo o diagnóstico precoce e o início de medidas profiláticas, como a penicilina, para reduzir a mortalidade por infecções na infância. O tratamento é multidisciplinar e focado no manejo da dor, prevenção de complicações e transfusões quando indicadas.
As crises álgicas são causadas pela oclusão de pequenos vasos sanguíneos por hemácias falcizadas, que perdem sua flexibilidade e aderem ao endotélio, resultando em isquemia e dor intensa nos tecidos afetados.
O manejo inicial envolve hidratação vigorosa, analgesia potente (geralmente com opioides), oxigenoterapia se houver hipoxemia e, em alguns casos, transfusão sanguínea.
Outras complicações incluem síndrome torácica aguda, acidente vascular cerebral (isquêmico mais comum), infecções graves (devido à asplenia funcional), priapismo, necrose avascular óssea e úlceras de perna.
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