Critérios de Internação na Doença Falciforme Pediátrica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Criança que tem doença falciforme é atendida em uma emergência pediátrica. Diante desse quadro, os fatores que indicam internação imediata são:

Alternativas

  1. A) Hipotensão, temperatura >40°C e histórico de sepse por pneumococo.
  2. B) Hemoglobina <5,0g/dL, plaquetas <150.000/mm³ e queda do estado geral.
  3. C) Hemoglobina <5,0g/dL, plaquetas <150.000/mm³ e leucócitos >20.000/mm³.
  4. D) Má perfusão, radiografia de tórax com infiltrado de segmento pulmonar e leucócitos >15.000/mm³.

Pérola Clínica

Febre >38.5°C ou hipotensão em falcêmicos = Internação + Antibiótico empírico.

Resumo-Chave

Crianças com doença falciforme são funcionalmente asplênicas e têm alto risco de sepse por germes encapsulados. Febre alta e sinais de choque exigem internação imediata.

Contexto Educacional

A doença falciforme é uma hemoglobinopatia caracterizada pela presença da HbS, que polimeriza em condições de hipóxia. Na pediatria, a principal causa de óbito é a infecção. A asplenia funcional ocorre precocemente, tornando a profilaxia com penicilina e a vacinação rigorosa essenciais. Na emergência, o protocolo de febre deve ser seguido à risca: colher culturas e iniciar antibiótico na primeira hora, antes mesmo dos resultados laboratoriais, especialmente se houver sinais de instabilidade hemodinâmica.

Perguntas Frequentes

Por que a febre é tão grave na doença falciforme?

Devido ao infarto esplênico progressivo (asplenia funcional), esses pacientes perdem a capacidade de opsonização e clareamento de bactérias encapsuladas, como o Streptococcus pneumoniae. Uma febre alta pode ser o único sinal inicial de uma sepse avassaladora, exigindo antibioticoterapia venosa imediata (geralmente ceftriaxone).

Quais são os principais sinais de choque no falcêmico?

Hipotensão, taquicardia, má perfusão periférica e alteração do nível de consciência. Na doença falciforme, esses sinais podem indicar não apenas sepse, mas também sequestro esplênico agudo ou crise de hipovolemia, ambos com alta mortalidade se não tratados agressivamente com expansão volêmica.

Qual o papel do histórico de sepse na decisão clínica?

Um histórico prévio de sepse por pneumococo aumenta significativamente o risco de novos episódios graves. Pacientes com esse antecedente e que apresentam febre alta (>39-40°C) devem ser manejados com o nível máximo de vigilância, pois a reserva imunológica é criticamente baixa.

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