FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Adolescente, 14 anos, com história de doença falciforme, procura o serviço de emergência com a queixa de estar amarelo, com náuseas e vômitos. Encontra-se com alguma desidratação e t = 37,6 ºC. Encontra-se hemodinamicamente estável no momento da avaliação, mas apresenta icterícia e defesa na palpação abdominal no quadrante superior direito. Exame de tórax sem alterações. Qual dos exames deve ser solicitado, com urgência, para elucidar e promover o diagnóstico?
Adolescente falciforme com icterícia e dor em QSD → suspeitar de colelitíase/colecistite, USG abdome urgente.
Em pacientes com doença falciforme, a hemólise crônica predispõe à formação de cálculos biliares pigmentados. Um quadro de icterícia, náuseas, vômitos e dor em quadrante superior direito com defesa abdominal sugere colecistite aguda ou coledocolitíase, sendo o ultrassom de abdome o exame de escolha para o diagnóstico.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia genética que cursa com hemólise crônica e vaso-oclusão, levando a uma série de complicações multissistêmicas. Pacientes com doença falciforme frequentemente apresentam dor abdominal, que pode ser decorrente de crises vaso-oclusivas, mas também de outras condições graves que exigem diagnóstico e tratamento específicos. A icterícia, náuseas e vômitos, associados à dor em quadrante superior direito e defesa abdominal, são sinais de alerta para complicações biliares. A hemólise crônica na doença falciforme resulta em aumento da bilirrubina não conjugada, predispondo à formação de cálculos biliares pigmentados (colelitíase) desde a infância e adolescência. Esses cálculos podem levar a colecistite aguda (inflamação da vesícula biliar) ou coledocolitíase (cálculos no ducto biliar comum), que são emergências cirúrgicas. Outras causas de dor abdominal incluem sequestro esplênico, hepatopatia falciforme e infecções. Diante de um quadro clínico sugestivo de complicação biliar em um paciente falciforme, o ultrassom de abdome é o exame de imagem de primeira linha. Ele permite visualizar a vesícula biliar, identificar cálculos, avaliar o espessamento da parede e a presença de líquido perivesicular, além de verificar a dilatação das vias biliares. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado, que pode incluir colecistectomia em casos de colecistite sintomática ou coledocolitíase.
As principais causas incluem crises vaso-oclusivas, sequestro esplênico agudo, colelitíase e colecistite, hepatopatia falciforme, e infecções. É crucial diferenciar essas condições para o manejo adequado.
A hemólise crônica característica da doença falciforme leva a um aumento da produção de bilirrubina não conjugada, que é excretada na bile. Esse excesso de bilirrubina favorece a formação de cálculos biliares pigmentados.
O ultrassom de abdome é um exame rápido, não invasivo e de alta sensibilidade para detectar colelitíase, colecistite (sinais como espessamento da parede da vesícula, líquido perivesicular) e dilatação de vias biliares, sendo fundamental para o diagnóstico diferencial.
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