Doença Falciforme: Complicações Agudas e Manejo

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020

Enunciado

A doença falciforme é um grupo de distúrbios genéticos com manifestações sistêmicas caracterizadas por hemólise crônica e complicações agudas que podem levar a risco de morte e graus variáveis de disfunções orgânicas. Com relação as complicações agudas da doença falciforme, marque a opção INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A crise vaso-oclusiva é a principal manifestação clínica da doença falciforme e pode ocorrer em pacientes com idade inferior a seis meses. A dor resulta de isquemia e pode ser de extrema intensidade. A primeira manifestação da crise vaso-oclusiva pode ocorrer na forma de dactilite isquêmica (dor e edema de mãos e pés).
  2. B) A crise aplástica leva a aplasia permanente da série vermelha por conta da citotoxicidade do Parvovírus aos precursores hematopoiéticos, nem sempre acompanhada do exantema característico.
  3. C) A associação entre síndrome torácica aguda e crise álgica é comum. Episódios graves e recorrentes da síndrome torácica aguda podem evoluir para hipertensão pulmonar e cor pulmonale.
  4. D) O sequestro esplênico é diagnosticado mediante sinais de agudização da anemia e aumento abrupto do baço. O quadro pode evoluir para choque hemorrágico e óbito.

Pérola Clínica

Crise aplástica falciforme por Parvovírus B19 é transitória, não permanente, afetando temporariamente a eritropoiese.

Resumo-Chave

A crise aplástica na doença falciforme é causada pelo Parvovírus B19, que tem tropismo pelos precursores eritroides, levando a uma interrupção temporária da eritropoiese. É crucial entender que essa aplasia é transitória, e não permanente, diferenciando-a de outras formas de aplasia medular.

Contexto Educacional

A doença falciforme é uma hemoglobinopatia genética que resulta em hemácias em forma de foice, levando a hemólise crônica e eventos vaso-oclusivos. É uma das doenças genéticas mais comuns globalmente, com alta prevalência em populações afrodescendentes. Suas manifestações sistêmicas e complicações agudas representam um desafio significativo para a saúde pública e exigem manejo multidisciplinar. A fisiopatologia envolve a polimerização da hemoglobina S em condições de hipóxia, acidose ou desidratação, deformando as hemácias e causando oclusão microvascular. As complicações agudas incluem a crise vaso-oclusiva (dor intensa), síndrome torácica aguda (infarto pulmonar, infecção), sequestro esplênico (hipovolemia grave) e crise aplástica (supressão eritroide temporária por Parvovírus B19). O diagnóstico é feito por eletroforese de hemoglobina. O tratamento das complicações agudas é de suporte, incluindo hidratação, analgesia, oxigenoterapia e, em casos graves, transfusões sanguíneas. A hidroxiureia é um tratamento modificador da doença que reduz a frequência das crises. A prevenção de infecções e a vacinação são cruciais. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços no manejo, mas a doença ainda acarreta morbidade e mortalidade consideráveis, exigindo acompanhamento contínuo e educação do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações da crise vaso-oclusiva na doença falciforme?

A crise vaso-oclusiva é a manifestação mais comum, caracterizada por dor intensa devido à isquemia tecidual. Pode se apresentar como dactilite em crianças pequenas, dor óssea ou abdominal, e é o principal motivo de internação.

O que é a síndrome torácica aguda na doença falciforme e suas consequências?

A síndrome torácica aguda é uma complicação grave caracterizada por infiltrado pulmonar novo e dor torácica, febre ou hipoxemia. Pode ser desencadeada por infecção, embolia gordurosa ou infarto pulmonar, e episódios recorrentes podem levar a hipertensão pulmonar e cor pulmonale.

Como o sequestro esplênico agudo se manifesta e qual sua gravidade?

O sequestro esplênico agudo ocorre principalmente em crianças pequenas e é caracterizado por aumento abrupto do baço, queda súbita da hemoglobina e reticulocitose. É uma emergência médica que pode evoluir rapidamente para choque hipovolêmico e óbito devido à retenção de grande volume de sangue no baço.

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