Doença Enxerto contra Hospedeiro (DECH) Ocular: Guia Prático

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Com relação à “doença enxerto versus hospedeiro”, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de complicação autoimune, desencadeada geralmente pelo transplante alógeno de limbo nas reconstruções de superfície ocular, caracterizada por necrólise não infecciosa do enxerto. O tratamento inclui a remoção do limbo transplantado e imunomodulação local
  2. B) Trata-se de complicação associada ao transplante alogênico de medula óssea, caracterizada pela inflamação conjuntival, com ou sem fibrose subepitelial, e pela ceratoconjuntivite seca grave, presente em 40 a 60% dos acometidos. O tratamento inclui lubrificação vigorosa, anti-inflamação tópica e eventualmente imunossupressão sistêmica
  3. C) Trata-se de reação autoimune cruzada, geralmente associada à infecção prévia pelo vírus varicela-zóster, com produção de autoanticorpos contra os ceratócitos das camadas mais superficiais da córnea. O tratamento deve ser realizado com esteroides tópicos e antiviral sistêmico em dose profilática
  4. D) Ocorre nos pacientes submetidos a múltiplos transplantes de córnea, pela exposição de diversos antígenos ao sistema imunológico do hospedeiro. É caracterizada pela presença de reação de câmara anterior e por precipitados ceráticos que assumem formato linear. O tratamento deve ser feito com esteroides tópicos (na forma de colírios e injeções subconjuntivais) e sistêmicos

Pérola Clínica

Pós-TMO + olho seco grave + inflamação conjuntival → Doença Enxerto contra Hospedeiro (DECH).

Resumo-Chave

A DECH ocular ocorre após transplante alogênico de medula óssea, manifestando-se principalmente como ceratoconjuntivite seca grave e inflamação crônica da superfície ocular.

Contexto Educacional

A Doença Enxerto contra Hospedeiro (DECH) ocular é uma complicação sistêmica com impacto devastador na qualidade de vida do paciente pós-transplante de medula óssea (TMO). Ela é classificada em aguda ou crônica, sendo a forma crônica a mais associada a danos oculares permanentes. O diagnóstico precoce é fundamental e deve envolver o teste de Schirmer, tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT) e coloração da superfície ocular com fluoresceína ou lisamina verde. A presença de fibrose conjuntival ou membranas é um sinal de gravidade. O manejo bem-sucedido requer uma colaboração estreita entre oftalmologistas e hematologistas, visando não apenas o alívio dos sintomas, mas a preservação da integridade corneana e da acuidade visual contra complicações como perfurações e infecções oportunistas.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a fisiopatologia da DECH ocular?

A Doença Enxerto contra Hospedeiro (DECH) ocular ocorre quando linfócitos T do doador (enxerto) reconhecem os antígenos do receptor (hospedeiro) como estranhos, desencadeando uma resposta imune inflamatória. Na superfície ocular, isso resulta em destruição das glândulas lacrimais, glândulas de Meibomius e células caliciformes da conjuntiva. O resultado é uma ceratoconjuntivite seca grave, muitas vezes acompanhada de fibrose subepitelial e cicatrizes conjuntivais, assemelhando-se ao penfigoide ocular em casos avançados.

Qual a prevalência e os principais sintomas da DECH ocular?

A DECH ocular afeta entre 40% a 60% dos pacientes submetidos ao transplante alogênico de medula óssea, sendo uma das manifestações mais comuns da DECH crônica. Os sintomas incluem sensação intensa de corpo estranho, ardor, fotofobia severa, visão turva e dor ocular. Clinicamente, observa-se hiperemia conjuntival, ceratite ponteada difusa, filamentos corneanos e, em estágios tardios, simbléfaro e vascularização da córnea.

Como é feito o tratamento da DECH ocular?

O tratamento é multifatorial e escalonado. Inicia-se com lubrificação vigorosa (preferencialmente sem conservantes) e higiene das pálpebras. Casos moderados a graves exigem anti-inflamatórios tópicos (corticosteroides ou ciclosporina/tacrolimus), soro autólogo e oclusão de pontos lacrimais. Lentes de contato esclerais são fundamentais para proteção da superfície. Frequentemente, é necessário o ajuste da imunossupressão sistêmica em conjunto com a equipe de hematologia para controlar a doença de base.

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