CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Homem de 35 anos de idade com vasculite periférica oclusiva retiniana bilateral, neovasos e história prévia de hemorragias vítreas de repetição é submetido a investigação de doenças infecciosas e reumatológicas, que revelou, apenas, positividade do teste tuberculínico e FAN positivo, para uma titulação de 1/160, padrão pontilhado fino. Qual o diagnóstico mais provável?
Homem jovem + Vasculite periférica oclusiva + PPD reativo = Doença de Eales.
A Doença de Eales é uma vasculite idiopática que afeta a periferia da retina, fortemente associada à exposição ao Mycobacterium tuberculosis, causando isquemia e neovasos.
A Doença de Eales progride da periferia para o centro. O tratamento depende do estágio: corticoides sistêmicos ou perioculares na fase inflamatória, e fotocoagulação a laser (panfotocoagulação setorial) nas áreas de isquemia para involução dos neovasos. Em casos de hemorragia vítrea persistente ou descolamento de retina tracional, a vitrectomia posterior via pars plana é indicada. A positividade do FAN 1/160 pode ocorrer de forma inespecífica e não confirma colagenose sem critérios clínicos.
A Doença de Eales é uma vasculite retiniana idiopática, bilateral e periférica, que afeta predominantemente homens jovens (20-40 anos). Caracteriza-se por três estágios principais: inflamação (perivasculite), isquemia (oclusão vascular) e neovascularização. Os pacientes frequentemente apresentam queixas de moscas volantes ou perda súbita de visão devido a hemorragias vítreas recorrentes originadas dos neovasos na periferia da retina.
Embora a etiologia exata seja desconhecida, existe uma forte associação epidemiológica e imunológica com a tuberculose. Muitos pacientes apresentam teste tuberculínico (PPD) fortemente reativo, mesmo sem evidência de doença sistêmica ativa. Acredita-se que a vasculite seja uma resposta de hipersensibilidade tardia a antígenos do Mycobacterium tuberculosis, o que justifica a investigação sistemática de TB nesses casos.
O diagnóstico diferencial inclui a Retinopatia Diabética (geralmente com história de hiperglicemia e edema macular), a Doença de Behçet (associada a úlceras orais e genitais), a Sarcoidose e a Síndrome de IRVAN. A Doença de Eales é um diagnóstico de exclusão, reforçado pela idade do paciente, localização periférica das oclusões e ausência de outras doenças sistêmicas, exceto a positividade para o PPD.
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