CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Dentre as alternativas abaixo, qual microorganismo está associado à doença de Eales?
Doença de Eales = Vasculite retiniana periférica associada à hipersensibilidade ao M. tuberculosis.
A Doença de Eales é uma vasculite idiopática periférica, frequentemente ligada à exposição prévia ao bacilo da tuberculose, manifestando-se com isquemia e neovascularização.
A Doença de Eales é uma entidade clínica clássica na oftalmologia, especialmente em regiões onde a tuberculose é endêmica. Ela representa um desafio diagnóstico, exigindo a exclusão de outras vasculites como sarcoidose, doença de Behçet e anemia falciforme. A associação com o Mycobacterium tuberculosis é um dos pontos mais cobrados em provas de residência, destacando a importância de investigar o histórico de exposição do paciente. O manejo precoce com laser é fundamental para preservar a visão e evitar as complicações catastróficas da fase proliferativa.
A Doença de Eales é uma vasculite retiniana periférica idiopática, primariamente oclusiva, que afeta tipicamente homens jovens. Embora a etiologia exata permaneça incerta, existe uma forte correlação epidemiológica e imunológica com o Mycobacterium tuberculosis. Acredita-se que a doença represente uma resposta de hipersensibilidade retardada (tipo IV) a antígenos bacterianos, em vez de uma infecção intraocular ativa pelo bacilo. O processo inflamatório leva à perivasculite (embainhamento venoso), isquemia retiniana periférica e subsequente neovascularização. Essas complicações podem resultar em hemorragia vítrea recorrente e descolamento de retina tracional.
A doença progride classicamente em três estágios: 1) Estágio inflamatório, caracterizado por perivasculite retiniana periférica (embainhamento venoso) e pequenas hemorragias retinianas; 2) Estágio isquêmico, onde ocorre a oclusão capilar periférica, visível na angiografia fluoresceínica como áreas de não-perfusão; 3) Estágio proliferativo, marcado pelo desenvolvimento de neovasos (NVE ou NVD), que frequentemente levam a hemorragias vítreas maciças e, em casos avançados, descolamento de retina tracional e glaucoma neovascular.
O tratamento é direcionado conforme o estágio da doença. Na fase inflamatória ativa, utilizam-se corticosteroides (sistêmicos ou perioculares) para reduzir a vasculite. Na presença de isquemia e neovascularização, a fotocoagulação a laser das áreas periféricas não perfundidas é o padrão-ouro para induzir a regressão dos neovasos e prevenir hemorragias. Em casos de hemorragia vítrea persistente ou descolamento de retina, a vitrectomia posterior está indicada. Embora controversa, a terapia antituberculosa (esquema RIPE) é frequentemente prescrita em pacientes com PPD fortemente reativo ou evidência de TB sistêmica prévia.
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