CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Quais são os vasos predominantemente comprometidos com vasculite na doença de Eales?
Doença de Eales = Vasculite idiopática periférica com predileção por veias (periflebite).
A Doença de Eales é uma perivasculite retiniana idiopática que afeta primariamente as veias periféricas, levando a isquemia, neovascularização e hemorragia vítrea recorrente.
A Doença de Eales é uma patologia idiopática que afeta tipicamente homens jovens e saudáveis (20-40 anos). Sua patogênese envolve três estágios principais: inflamação (periflebite), isquemia (não-perfusão capilar) e proliferação (neovascularização). O diagnóstico é essencialmente de exclusão, devendo-se descartar outras causas de vasculite retiniana como sarcoidose, sífilis, tuberculose sistêmica e hemoglobinopatias. A predileção pelo sistema venoso periférico diferencia a Doença de Eales de outras vasculites que podem ter um componente arterial mais proeminente. A angiofluoresceínografia é o exame padrão-ouro para delimitar as áreas de 'non-perfusion' e guiar o tratamento com laser. O prognóstico visual costuma ser bom se a mácula for preservada e as complicações proliferativas forem tratadas precocemente.
A fase inflamatória inicial da Doença de Eales é caracterizada por uma perivasculite retiniana periférica, que afeta predominantemente as vênulas (periflebite). Ao exame de fundoscopia, observa-se o 'embainhamento' venoso, que são exsudatos esbranquiçados ao redor das veias periféricas. Essa inflamação pode ser acompanhada de células no vítreo (vitrite) e pequenas hemorragias retinianas. Embora a etiologia exata seja desconhecida, há uma forte associação histórica com a hipersensibilidade à proteína do Mycobacterium tuberculosis, embora o bacilo raramente seja isolado no olho.
A inflamação crônica dos vasos leva à oclusão vascular e consequente isquemia retiniana periférica. Em resposta à hipóxia tecidual, ocorre a liberação de fatores angiogênicos (como o VEGF), resultando em neovascularização da retina (geralmente na interface entre a retina vascularizada e a isquêmica). Esses neovasos são frágeis e frequentemente causam hemorragias vítreas recorrentes, que são a principal causa de perda visual súbita nesses pacientes. Em estágios avançados, pode ocorrer descolamento de retina tracional e glaucoma neovascular.
O tratamento depende do estágio da doença. Na fase inflamatória ativa, podem ser utilizados corticosteroides (tópicos, perioculares ou sistêmicos) para controlar a periflebite. Quando áreas de isquemia periférica são identificadas pela angiofluoresceínografia, a fotocoagulação a laser (setorial ou panfotocoagulação) é indicada para involuir os neovasos e prevenir hemorragias. Em casos de hemorragia vítrea persistente ou descolamento de retina tracional, a vitrectomia posterior via pars plana é necessária. Recentemente, injeções de anti-VEGF têm sido usadas como adjuvantes no controle da neovascularização.
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