UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022
Paciente de 69 anos, sexo masculino, médico, previamente hígido, iniciou quadro de tremor de mãos há doze meses, de forma simétrica, associado à bradicinesia e rigidez plástica. Foi iniciada levodopa em dose adequada, com pouca melhora clínica. Nos últimos seis meses, apresenta declínio cognitivo evidente, sendo incapaz de trabalhar. Tem desorientação têmporo-espacial e, com frequência, é visto conversando sozinho. Quando questionado, afirma que há uma criança morando em seu quarto. Na última semana, fez uso de quetiapina para ajudar no sono, com piora importante dos tremores e rigidez de membros superiores. O principal diagnóstico a ser considerado é
Demência + Parkinsonismo + Alucinações visuais + Hipersensibilidade a neurolépticos → Doença dos Corpúsculos de Lewy.
A Doença dos Corpúsculos de Lewy (DCL) é caracterizada pela tríade de parkinsonismo, flutuações cognitivas e alucinações visuais. A hipersensibilidade a neurolépticos, como a quetiapina, é uma característica importante que pode exacerbar os sintomas motores.
A Doença dos Corpúsculos de Lewy (DCL) é a segunda causa mais comum de demência neurodegenerativa, superada apenas pela Doença de Alzheimer. É uma condição complexa que se manifesta com uma tríade clássica de sintomas: parkinsonismo, flutuações cognitivas e alucinações visuais recorrentes. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e para evitar iatrogenias. A fisiopatologia da DCL envolve o acúmulo de corpúsculos de Lewy (agregados de alfa-sinucleína) em neurônios corticais e subcorticais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de McKeith. A presença de parkinsonismo, demência (com flutuações cognitivas e alucinações visuais) e distúrbio comportamental do sono REM são características centrais. A hipersensibilidade a neurolépticos é um sinal de alerta importante, pois pode levar a uma piora dramática dos sintomas motores e cognitivos. O tratamento da DCL é sintomático. Para o parkinsonismo, a levodopa pode ser utilizada, mas a resposta é frequentemente menos robusta do que na Doença de Parkinson. Para as alucinações e distúrbios comportamentais, antipsicóticos atípicos como a quetiapina ou clozapina podem ser usados em doses muito baixas, com cautela extrema devido à hipersensibilidade. Inibidores da colinesterase, como a rivastigmina, podem melhorar os sintomas cognitivos e psiquiátricos.
Os principais sinais incluem parkinsonismo (bradicinesia, rigidez, tremor), flutuações cognitivas e alucinações visuais recorrentes.
A sensibilidade ocorre devido à depleção dopaminérgica e à disfunção colinérgica, tornando-os mais propensos a efeitos extrapiramidais graves e sedação com antipsicóticos típicos e atípicos.
Na DCL, a demência precede ou ocorre dentro de um ano do início do parkinsonismo, enquanto na Doença de Parkinson com demência, a demência surge anos após o início dos sintomas motores.
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