Doença Diverticular Complicada: Manejo e Prognóstico

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Mulher, 75 anos, com HAS, diabetes mellitus tipo II, fibrilação atrial, insuficiência renal crônica. Relata hematoquezia, constipação intestinal, dor em fossa ilíaca direita, há dois meses. Exame físico: dor abdominal de forte intensidade e irritação peritoneal difusa. Foi realizada laparotomia exploradora de emergência, cujo inventário mostrou grande quantidade de fezes e pus livre na cavidade abdominal. Observou-se no perioperatório: perfuração em retossigmoide, alguns divertículos e processo inflamatório intenso com importante encurtamento de alça afetada. Foi realizada lavagem exaustiva da cavidade, retossigmoidectomia à Hartmann. Ao término da cirurgia, foi encaminhada ao CTI, mantida em prótese ventilatória com uso de aminas vasoativas e antibioticoterapia de largo espectro. Evolui nas primeiras 24 horas com hipotensão mantida, débito urinário protraído, choque refratário e óbito. A causa básica do óbito foi:

Alternativas

  1. A) Peritonite fecal.
  2. B) Choque séptico.
  3. C) Doença diverticular.
  4. D) Diabetes mellitus.

Pérola Clínica

Doença diverticular complicada → perfuração, peritonite, choque séptico, alta mortalidade em idosos com comorbidades.

Resumo-Chave

A doença diverticular, embora crônica, pode levar a complicações agudas graves como a perfuração e peritonite fecal, que desencadeiam choque séptico e falência de múltiplos órgãos, sendo a causa básica do óbito em pacientes idosos e com múltiplas comorbidades. O manejo cirúrgico emergencial é crucial, mas o prognóstico é reservado em casos de sepse avançada.

Contexto Educacional

A doença diverticular é uma condição comum, especialmente em idosos, e sua complicação mais grave é a diverticulite aguda com perfuração. Esta condição leva à peritonite fecal, uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade, particularmente em pacientes com múltiplas comorbidades como hipertensão, diabetes e insuficiência renal crônica. O reconhecimento precoce dos sinais de peritonite é crucial para um melhor prognóstico. A fisiopatologia envolve a inflamação e posterior perfuração de um divertículo, permitindo o extravasamento de fezes e bactérias para a cavidade peritoneal. Isso desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada, culminando em sepse e choque séptico. A presença de comorbidades e a idade avançada comprometem a capacidade de resposta do paciente, aumentando o risco de falência de múltiplos órgãos e óbito. O tratamento consiste em laparotomia exploradora de emergência para lavagem exaustiva da cavidade abdominal e ressecção do segmento intestinal afetado, frequentemente com a realização de uma colostomia (cirurgia de Hartmann). O suporte intensivo com antibioticoterapia de largo espectro, aminas vasoativas e ventilação mecânica é essencial. Apesar do manejo agressivo, o prognóstico é reservado em casos de sepse refratária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de diverticulite aguda perfurada?

Os sinais de diverticulite aguda perfurada incluem dor abdominal intensa e difusa, irritação peritoneal, febre, taquicardia e hipotensão. Pode haver distensão abdominal e sinais de sepse grave.

Qual a indicação da cirurgia de Hartmann na diverticulite?

A cirurgia de Hartmann é indicada em casos de diverticulite complicada com perfuração e peritonite fecal difusa, especialmente em pacientes instáveis, idosos ou imunocomprometidos, visando controle da sepse e desvio do trânsito intestinal.

Como a doença diverticular pode levar ao choque séptico?

A doença diverticular pode levar ao choque séptico quando um divertículo se perfura, extravasando conteúdo fecal para a cavidade abdominal. Isso causa peritonite, uma infecção grave que pode evoluir para sepse e choque séptico, com falência de múltiplos órgãos.

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