Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Lactente de 6 meses apresenta quadro de evacuações líquidas, sem muco ou sangue, por 2 dias, mantendo-se ativo e mamando bem. qual o plano terapêutico indicado segundo o ministério da saúde?
Lactente hidratado + diarreia → Plano A: SRO em casa + manter dieta/amamentação.
O Plano A foca na prevenção da desidratação em domicílio, priorizando a oferta de líquidos e a manutenção rigorosa do aleitamento materno.
A doença diarreica aguda continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil no Brasil, embora as taxas de óbito tenham caído drasticamente com a disseminação da Terapia de Reidratação Oral (TRO). O manejo é estratificado pela gravidade da desidratação. No caso de lactentes que mantêm bom estado geral, estão ativos e aceitam bem o seio materno, a conduta é conservadora e domiciliar. A manutenção do aleitamento materno é crucial, pois fornece anticorpos, nutrientes e hidratação adequada sem aumentar a carga osmótica intestinal. O uso de antibióticos é restrito a casos específicos, como disenteria (sangue nas fezes) ou suspeita de cólera grave, não sendo indicado para quadros virais ou inespecíficos autolimitados. O foco deve ser sempre a prevenção da desidratação e a manutenção do aporte nutricional.
O Plano A é indicado para crianças com diarreia, mas sem sinais clínicos de desidratação. Consiste em cinco passos fundamentais para o manejo domiciliar: 1) Oferecer mais líquidos do que o habitual para prevenir a desidratação; 2) Manter a alimentação habitual, com ênfase total na manutenção do aleitamento materno, que nunca deve ser interrompido; 3) Orientar a família sobre sinais de perigo, como vômitos persistentes, sede intensa, recusa alimentar ou sangue nas fezes; 4) Administrar suplementação de Zinco por 10 a 14 dias; 5) Ensinar medidas de higiene e lavagem das mãos. O soro de reidratação oral (SRO) deve ser oferecido após cada evacuação diarreica. A educação da família é o pilar central deste plano, garantindo que a criança permaneça hidratada e nutrida enquanto a infecção, geralmente viral, segue seu curso natural autolimitado.
A transição do Plano A para o Plano B ocorre quando a criança apresenta sinais de desidratação leve a moderada. Os sinais clínicos clássicos incluem irritabilidade, olhos fundos, ausência de lágrimas, boca seca, sede excessiva (bebe avidamente) e o sinal da prega, onde a pele retorna ao estado normal lentamente (menos de 2 segundos). No Plano B, a criança deve permanecer na unidade de saúde para receber Terapia de Reidratação Oral (TRO) sob supervisão médica ou de enfermagem. O volume de SRO é calculado (geralmente 50-100 ml/kg) e administrado em pequenas quantidades frequentemente. Se a criança hidratar, retorna ao Plano A; se apresentar sinais de desidratação grave ou falha na TRO (vômitos persistentes), progride para o Plano C (hidratação venosa).
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam a suplementação de Zinco para todas as crianças com diarreia aguda, independentemente do estado de hidratação. O Zinco desempenha um papel vital na integridade da barreira intestinal e na função imunológica. Estudos demonstram que a suplementação reduz a duração do episódio diarreico atual em cerca de 25% e diminui o volume das fezes. Além disso, o benefício mais significativo é a prevenção de novos episódios de diarreia nos dois a três meses subsequentes ao tratamento. A dose recomendada é de 10 mg/dia para lactentes menores de 6 meses e 20 mg/dia para crianças acima de 6 meses, mantida por um período de 10 a 14 dias consecutivos.
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