AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022
Paciente de 23 anos apresenta doença de Crohn, manifesta por ileo-colite direita com ulcerações profundas e fístulas perianais múltiplas. CDAI de 250. Não foi ainda submetida a nenhum tratamento. Quanto ao diagnóstico e tratamento somente é CORRETO:
Doença de Crohn com fístulas e atividade moderada/grave (CDAI >220) → imunossupressores e/ou biológicos são a base do tratamento.
Em pacientes com Doença de Crohn que apresentam doença fistulosa e atividade moderada a grave (CDAI > 220), a terapia com imunossupressores e/ou agentes biológicos é a abordagem de primeira linha. A mesalazina tem papel limitado em casos leves e não é eficaz para doença fistulosa ou moderada/grave.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com inflamação transmural. É caracterizada por períodos de remissão e exacerbação, e suas manifestações podem incluir dor abdominal, diarreia, perda de peso e complicações como fístulas, estenoses e abscessos. A doença fistulosa perianal é uma manifestação comum e desafiadora, indicando doença mais grave. O diagnóstico baseia-se em achados clínicos, endoscópicos, histopatológicos e radiológicos. O Índice de Atividade da Doença de Crohn (CDAI) é uma ferramenta para quantificar a atividade da doença. Um CDAI de 250 indica doença moderada a grave. A presença de fístulas perianais também classifica a doença como mais complexa e grave, exigindo tratamento agressivo. Para pacientes com Doença de Crohn moderada a grave, especialmente com doença fistulosa, o tratamento de escolha envolve imunossupressores (como azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato) e/ou medicamentos biológicos (como anti-TNF, anti-integrinas). A mesalazina tem eficácia limitada e não é recomendada para esses casos. A abordagem cirúrgica para fístulas deve ser cuidadosa, visando o controle da sepse e preservação da função esfincteriana, e geralmente é adjuvante à terapia medicamentosa.
A mesalazina tem um papel limitado na Doença de Crohn, sendo considerada para casos leves de colite. Não é eficaz para doença de Crohn de intestino delgado, doença fistulosa ou casos moderados a graves, onde terapias mais potentes são necessárias.
Imunossupressores (como azatioprina, metotrexato) e biológicos (como anti-TNF) são indicados porque modulam a resposta inflamatória sistêmica e local, promovendo a cicatrização das fístulas e controlando a atividade da doença, o que a mesalazina não consegue fazer efetivamente em casos complexos.
A doença fistulosa é uma característica distintiva da Doença de Crohn, ocorrendo em cerca de 30-50% dos pacientes. É muito rara na Retocolite Ulcerativa, que tipicamente afeta apenas a mucosa e submucosa, sem envolvimento transmural que leva à formação de fístulas.
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