HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Paciente masculino, 31 anos de idade, com quadro de diarreia muco sanguinolenta crônica e perda de peso progressiva, é encaminhado ao ambulatório para avaliação e tratamento. No exame físico, apresenta-se descorado com abdome levemente distendido e doloroso à palpação mesogástrica. Traz exames solicitados em outro serviço: calprotectina fecal = 1348, Hb = 9, Contagem leucócitos = 13800, PCR = 14, TC de abdome mostrando espessamento com subestenose em íleo e colonoscopia com cólon e reto normais sem evidências de doença. Paciente fazendo uso de masalazina 800 mg 2x há 3 meses, sem melhora do quadro clínico. Diante do exposto, qual deve ser o tratamento a ser instituído?
Crohn com atividade inflamatória grave refratário à mesalazina → terapia biológica + imunomodulador.
Paciente com Doença de Crohn ativa, evidência de inflamação grave (calprotectina, PCR, leucocitose, anemia) e falha à mesalazina, que é um 5-ASA com eficácia limitada em Crohn ileal, necessita de terapia mais potente, como biológicos associados a imunomoduladores.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, caracterizada por inflamação transmural. O manejo terapêutico é complexo e individualizado, visando induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. No caso apresentado, o paciente tem um quadro de Doença de Crohn com atividade inflamatória significativa (anemia, leucocitose, PCR e calprotectina elevadas) e envolvimento ileal com subestenose, que não respondeu à mesalazina. A mesalazina (5-ASA) tem eficácia limitada na Doença de Crohn, especialmente em doença moderada a grave ou com envolvimento de intestino delgado, sendo mais utilizada em casos leves de colite. Diante da falha terapêutica e da gravidade do quadro, o escalonamento para terapia biológica (como anti-TNF) é a conduta mais apropriada. A associação com um imunomodulador, como a azatioprina, é uma estratégia comprovada para aumentar a eficácia da terapia biológica e reduzir a imunogenicidade, otimizando os resultados a longo prazo.
A mesalazina é mais eficaz na colite ulcerativa e tem eficácia limitada na Doença de Crohn, especialmente em casos com envolvimento de intestino delgado ou doença moderada a grave. É considerada para doença leve em cólon.
A doença é considerada refratária quando há persistência de sintomas e sinais de atividade inflamatória (clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos) apesar do uso otimizado da terapia de primeira linha por um período adequado.
A associação de terapia biológica (como anti-TNF) com imunomoduladores (como azatioprina) tem demonstrado maior eficácia na indução e manutenção da remissão, além de reduzir a imunogenicidade dos biológicos, diminuindo a formação de anticorpos contra eles.
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