Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Paciente de 10 anos previamente hígido, que iniciou há cerca de 8 meses com hiporexia, perda de peso (cerca de 10kg), febre esporádica (cerca de 2 vezes na semana), alteração do hábito intestinal de constipado para regular (cerca de 2 evacuações semilíquidas por dia), associado a dor ao evacuar, e distensão abdominal. Nega vómitos. Sem outras queixas. Vacinação em dia. Teste do pezinho: normal. Ao exame: hipocorado (2+/4+), hidratado, emagrecido, com boa perfusão capilar, pulsos cheios e rítmicos. Aparelho digestivo: abdome distero, indolor, sem massas ou visceromegalias, ruído hidroaéreo positivo. Presença de abcesso associado a fistula em região perianal. Toque retal sem alterações. Restante do exame físico sem alterações. Sobre o caso apresentado, é CORRETO afirmar que:
Criança com perda peso, febre, alteração intestinal + Fístula perianal → Doença de Crohn grave → Anti-TNF-alfa.
A Doença de Crohn em pediatria frequentemente se manifesta com sintomas sistêmicos (perda de peso, febre, atraso de crescimento) e gastrointestinais, sendo as lesões perianais (fístulas, abscessos) um forte indicativo de doença moderada a grave, com indicação de terapia biológica como os anti-TNF-alfa.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, transmural e segmentar, que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Em crianças, a apresentação pode ser insidiosa e atípica, com sintomas sistêmicos como perda de peso, atraso de crescimento e febre, além dos sintomas gastrointestinais clássicos como dor abdominal e diarreia. A incidência de DII pediátrica tem aumentado globalmente, tornando seu reconhecimento crucial. O diagnóstico da Doença de Crohn é complexo e envolve uma combinação de achados clínicos, laboratoriais (anemia, marcadores inflamatórios elevados como PCR e VHS), endoscópicos com biópsias e de imagem (enterografia por ressonância magnética ou tomografia). A presença de lesões perianais, como fístulas e abscessos, é altamente sugestiva de Doença de Crohn e indica um curso mais grave da doença, com maior risco de complicações e necessidade de tratamento agressivo. O tratamento da Doença de Crohn pediátrica visa induzir e manter a remissão, promover o crescimento e desenvolvimento normais e melhorar a qualidade de vida. Em casos de doença moderada a grave, especialmente com complicações como fístulas perianais, a terapia biológica com agentes anti-TNF-alfa (como o infliximabe ou adalimumabe) é frequentemente a primeira linha de tratamento ou é utilizada após falha de terapias convencionais (corticosteroides, imunomoduladores). Esses medicamentos atuam bloqueando o fator de necrose tumoral alfa, uma citocina pró-inflamatória chave na patogênese da doença, controlando a inflamação e permitindo a cicatrização da mucosa.
Em crianças, a Doença de Crohn pode apresentar perda de peso, atraso de crescimento, dor abdominal, diarreia crônica, febre, anemia e manifestações extraintestinais como artrite, lesões cutâneas e, classicamente, lesões perianais como fístulas e abscessos.
A fístula perianal é uma complicação comum da Doença de Crohn, indicando doença transmural e, muitas vezes, um curso mais agressivo. Sua presença é um fator que direciona para terapias mais potentes, como os agentes biológicos, para controle da inflamação e prevenção de novas complicações.
A terapia anti-TNF-alfa é indicada para Doença de Crohn moderada a grave em crianças, especialmente na presença de fístulas, abscessos, falha de crescimento, ou refratariedade a corticosteroides e imunomoduladores. É uma estratégia eficaz para indução e manutenção da remissão.
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