UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Menina, 13a, é internada para investigação de quadro de dor abdominal e evacuações líquidas com muco e sangue (12 a 15 episódios ao dia, inclusive durante o período noturno), associadas a tenesmo e à lesão perianal com drenagem intermitente de secreção purulenta, há seis meses. Apresenta perda de 24% do peso, amenorreia, embotamento afetivo e abandonou a escola durante o período. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Adolescente com dor abdominal, diarreia sanguinolenta, lesão perianal e perda de peso → Doença de Crohn.
O quadro clínico de uma adolescente com dor abdominal crônica, diarreia com muco e sangue, tenesmo, lesão perianal com drenagem, perda de peso significativa e manifestações sistêmicas como amenorreia e embotamento afetivo é altamente sugestivo de Doença de Crohn. A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal e frequentemente apresenta manifestações extraintestinais e perianais.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Em adolescentes, a apresentação pode ser insidiosa e envolver não apenas sintomas gastrointestinais, mas também manifestações sistêmicas significativas, como atraso no crescimento, perda de peso, atraso puberal (amenorreia) e impacto psicossocial (embotamento afetivo, abandono escolar). A suspeita clínica é crucial para o diagnóstico precoce. O quadro descrito, com dor abdominal, diarreia sanguinolenta e mucóide, tenesmo e, especialmente, a presença de lesão perianal com drenagem purulenta, é altamente sugestivo de Doença de Crohn. As lesões perianais (fístulas, abscessos, fissuras) são características da doença e podem ser a primeira manifestação. A perda de peso acentuada e a amenorreia refletem a cronicidade da inflamação e a má absorção de nutrientes. O diagnóstico da Doença de Crohn envolve uma combinação de achados clínicos, laboratoriais (marcadores inflamatórios, anemia), endoscópicos (colonoscopia com biópsias), radiológicos (enterografia por TC ou RM) e histopatológicos. O tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas, promover a cicatrização da mucosa e prevenir complicações, utilizando medicamentos como corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos.
Os principais sinais incluem dor abdominal crônica, diarreia com sangue e muco, perda de peso, atraso no crescimento, lesões perianais (fístulas, abscessos) e manifestações extraintestinais como amenorreia, artralgia e fadiga.
A perda de peso ocorre devido à má absorção, inflamação crônica e diminuição da ingestão alimentar. A amenorreia é uma manifestação de atraso puberal ou disfunção endócrina secundária à inflamação crônica e desnutrição.
A presença de lesões perianais complexas, manifestações extraintestinais e um curso crônico com perda de peso são fortes indicativos de Doença de Crohn, diferenciando-a de colites infecciosas agudas ou retocolite ulcerativa, que geralmente não cursam com lesões perianais tão proeminentes.
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