Doença de Crohn Pediátrica: Diagnóstico e Manejo Completo

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022

Enunciado

Uma criança de 12 anos de idade, previamente hígida, interna devido à hiporexia, dor abdominal, diarreia intermitente e perda de peso (cerca 8 kg) nos últimos três meses. Relata também dor em articulações dos joelhos de um mês de evolução. Nega febre. Nega alergiasmedicamentosas. Vacinação em dia. Teste do pezinho: normal. Nega internações prévias. Nega história de consanguinidade na família. Solicitados exames laboratoriais que evidenciaram: Hb = 9,8mg/dL; VCM = 70fl; leucócitos = 20000/mm3 (N: 75% L:17% M:7% E:1%); plaquetas: 550000/mm³; PCR = 105mg/dL; VHS = 90mm. Ileocolonoscopia: presença de ileíte e pancolite. Biópsia mostrando úlceras aftosas profundas e atrofia de criptas, com aumento de células plasmáticas na lâmina própria.Ao exame: peso = 25 kg (Percentil < 3); altura = 135 cm (Percentil < 3); emagrecida, hipocorada (2+/4+), hidratada, acianótica, anictérica, com boa perfusão capilar; pulsos cheios e rítmicos, sem edemas. Edema em articulações de joelhos, com restrição de movimentos.Aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular em dois tempos com sopro sistólico grau I/VI; frequência cardíaca = 110 bpm; PA = 90/50 mmHg Aparelho digestivo: abdome globoso, distendido, sem massas ou visceromegalias; doloroso à palpação; ruído hidroaéreo presente.AGU: presença de abcesso perianalOroscopia: lesões aftosas em palatoDiante desse caso clínico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Fazem parte do tratamento do quadro o manejo nutricional do paciente, bem como o tratamento medicamentoso, que devem ser instituídos o mais rápido possível, inclusive com avaliação de necessidade de antibioticoterapia. 
  2. B) O edema e a dor articular não estão relacionados com a doença de base.
  3. C) A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsias seriadas não faz parte do manejo diagnóstico.
  4. D) A paciente apresenta indicação de tratamento cirúrgico devido ao acometimento de todo o cólon.

Pérola Clínica

Crohn pediátatrico: quadro sistêmico + GI (ileocolite, abscesso perianal, aftas) + anemia + inflamação. Tratamento inclui nutrição, medicamentos e ATB para complicações.

Resumo-Chave

O caso descreve um quadro clássico de Doença de Crohn pediátrica, com sintomas gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, perda de peso, ileocolite, abscesso perianal, aftas orais) e manifestações sistêmicas (anemia, artralgia, marcadores inflamatórios elevados). O tratamento é multifacetado, envolvendo suporte nutricional, terapia medicamentosa e, se necessário, antibioticoterapia para complicações como abscessos.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Em crianças, a apresentação pode ser insidiosa e complexa, muitas vezes com atraso diagnóstico. É fundamental reconhecer a combinação de sintomas gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, perda de peso, lesões perianais, aftas orais) com manifestações sistêmicas (anemia, artralgia, febre, atraso de crescimento), que são marcadores importantes da atividade inflamatória e da extensão da doença. A DC pediátrica frequentemente cursa com um fenótipo mais agressivo e maior comprometimento do crescimento e desenvolvimento. O diagnóstico da DC é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais (anemia, leucocitose, plaquetose, PCR e VHS elevados), endoscópicos (ileocolonoscopia com úlceras aftosas profundas, atrofia de criptas, aumento de células plasmáticas na lâmina própria) e histopatológicos. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsias seriadas é parte integrante do manejo diagnóstico, pois o trato gastrointestinal superior pode ser acometido em até 30% dos casos pediátricos. A avaliação completa é essencial para determinar a extensão da doença e guiar o tratamento. O tratamento da DC pediátrica é individualizado e visa induzir e manter a remissão, promover o crescimento e desenvolvimento normais e melhorar a qualidade de vida. Inclui manejo nutricional (terapia nutricional exclusiva é frequentemente a primeira linha em crianças), medicamentos (aminossalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores como azatioprina e metotrexato, e agentes biológicos como anti-TNF), e, em casos selecionados, cirurgia para complicações. A antibioticoterapia é indicada para tratar complicações infecciosas, como abscessos. O acompanhamento multidisciplinar é crucial para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Doença de Crohn em crianças?

A Doença de Crohn em crianças pode se manifestar com dor abdominal crônica, diarreia, perda de peso, atraso no crescimento, anemia, fadiga e manifestações extraintestinais como artralgia, lesões cutâneas e aftas orais. Complicações como abscessos perianais são comuns.

Qual a importância do manejo nutricional no tratamento da Doença de Crohn pediátrica?

O manejo nutricional é crucial, especialmente em crianças, onde a terapia nutricional exclusiva (TNE) com dieta enteral pode ser a primeira linha de tratamento para indução de remissão, além de combater a desnutrição e promover o crescimento.

Quais exames são essenciais para o diagnóstico da Doença de Crohn?

O diagnóstico envolve exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS, ferritina), exames de imagem (enterografia por ressonância ou TC), endoscopia digestiva alta e colonoscopia com biópsias seriadas para avaliar a extensão e características histopatológicas da inflamação.

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