Diagnóstico de Doença de Crohn em Pediatria: Exames Iniciais

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

A.M.L 15 anos de idade, iniciou quadro de diarreia associada a dor abdominal tipo cólica, tosse, coriza e febre há 2 meses. Mãe relata que a tosse e a coriza tiveram resolução, no entanto os demais sintomas permaneceram. Relata que todos os familiares da casa tiveram tosse e coriza. Ela trouxe sua filha ao pediatra porque ela permaneceu com dor abdominal intermitente associada a fezes não formadas cerca de 4 vezes ao dia. Às vezes, à noite a adolescente evacua na cama, o que não acontecia antes. Mãe relata que em 45 dias sua filha perdeu 10 Kg e antes do quadro viral ela era constipada. Nega infecções recorrentes. Antecedentes pessoais é autista e usa risperidona. Na história ambiental a família tem um cachorro em casa. Exame físico apenas plicoma inflamado, com abcesso em região perianal. De acordo com o relato, quais os exames iniciais o pediatra deve solicitar para auxiliar no diagnóstico?

Alternativas

  1. A) EnteroRNM; hemograma; PCR; VHS; albumina sérica.
  2. B) Hemograma; PCR; VHS; albumina sérica; calprotectina fecal; parasitológico de fezes; coprocultura.
  3. C) Coprologia funcional; parasitológico de fezes; hemograma, PCR; VHS.
  4. D) Teste de oxidação da diidrorrodamina-123; colonoscopia; PCR; VHS.

Pérola Clínica

Diarreia crônica + Perda de peso + Lesão perianal → Pensar em Doença de Crohn.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere Doença Inflamatória Intestinal (Crohn), exigindo triagem laboratorial inflamatória, nutricional e marcadores fecais para guiar a investigação invasiva.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn em pediatria frequentemente apresenta um fenótipo mais agressivo e extenso do que no adulto. O diagnóstico precoce é vital para evitar o comprometimento do crescimento linear e desenvolvimento puberal. A abordagem inicial deve ser sistemática: confirmar o processo inflamatório (PCR, VHS, Calprotectina), avaliar repercussões sistêmicas (Albumina, Hemograma) e excluir diagnósticos diferenciais infecciosos (Coprocultura, Parasitológico). A presença de doença perianal (abscesso/plicoma) em um paciente com sintomas gastrointestinais crônicos eleva drasticamente a probabilidade pré-teste para Crohn.

Perguntas Frequentes

Por que solicitar calprotectina fecal na suspeita de DII?

A calprotectina é uma proteína de ligação ao cálcio encontrada nos neutrófilos. Sua presença nas fezes é um marcador altamente sensível de inflamação intestinal. Em pediatria, é uma ferramenta não invasiva fundamental para diferenciar doenças funcionais (como Síndrome do Intestino Irritável) de doenças orgânicas inflamatórias (como Crohn ou Retocolite Ulcerativa), auxiliando na decisão de prosseguir para exames endoscópicos.

Quais sinais clínicos sugerem Doença de Crohn em adolescentes?

A tríade clássica inclui dor abdominal, diarreia e perda de peso. No entanto, em pediatria, o atraso no crescimento e puberdade, febre de origem indeterminada e manifestações perianais (plicomas, fístulas, abscessos) são sinais de alerta cruciais. A evacuação noturna, como relatada no caso, é um forte indicativo de diarreia orgânica em oposição à funcional.

Qual o papel do hemograma e albumina no diagnóstico da DII?

O hemograma pode revelar anemia (ferropriva ou de doença crônica) e leucocitose/trombocitose como marcadores de atividade inflamatória. A albumina sérica é um marcador de estado nutricional e de gravidade da doença (perda proteica intestinal), sendo frequentemente baixa em casos de Doença de Crohn moderada a grave com envolvimento extenso.

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