Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Com relação à Doença de Crohn (DC), uma doença inflamatória crônica, assinale a alternativa correta.
Doença de Crohn → inflamação transmural crônica → fibrose → estenoses não reversíveis com tratamento clínico, frequentemente necessitando de abordagem cirúrgica.
A inflamação crônica e transmural na Doença de Crohn (DC) leva à deposição de colágeno e formação de estenoses fibróticas. Diferente da inflamação ativa, a fibrose estabelecida não responde a anti-inflamatórios ou imunobiológicos, exigindo dilatação endoscópica ou ressecção cirúrgica.
A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal crônica, de etiologia multifatorial, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal. Caracteriza-se por uma inflamação transmural (que afeta todas as camadas da parede intestinal) e descontínua, com áreas de mucosa saudável entremeadas por lesões (as chamadas 'skip lesions' ou lesões salteadas). O íleo terminal é o local mais comumente afetado. Uma das principais consequências da inflamação transmural e crônica é o desenvolvimento de fibrose, que leva à formação de estenoses (estreitamentos) do lúmen intestinal. Este é o fenótipo fibroestenótico da doença. Ao contrário do componente inflamatório, que pode ser controlado com medicamentos como corticoides, imunossupressores e agentes biológicos, o componente fibrótico é largamente irreversível com o tratamento clínico. Quando as estenoses se tornam sintomáticas, causando quadros de suboclusão ou oclusão intestinal, a intervenção se faz necessária. As opções incluem a dilatação endoscópica por balão, para estenoses curtas e acessíveis, ou o tratamento cirúrgico (estricturoplastia ou ressecção do segmento afetado). Cerca de 70-80% dos pacientes com DC necessitarão de pelo menos uma intervenção cirúrgica ao longo da vida, principalmente devido a complicações como estenoses e fístulas.
O local mais frequentemente afetado é o íleo terminal e o ceco (ileocolite), ocorrendo em cerca de 50% dos casos. O acometimento isolado do íleo terminal ocorre em 30% e o colônico isolado em 20%. A doença pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus.
São fenótipos da doença. O padrão inflamatório é a fase inicial. Com a cronicidade, a inflamação transmural pode levar à fibrose e estreitamento do lúmen (estenosante) ou à formação de trajetos anormais que conectam o intestino a outras estruturas (fistulizante).
A cirurgia é indicada para tratar complicações refratárias ao tratamento clínico, como estenoses sintomáticas (obstrução intestinal), fístulas complexas, abscessos intra-abdominais, hemorragia maciça ou falha do tratamento medicamentoso em controlar a atividade da doença.
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