Doença de Crohn: Diagnóstico e Achados Histopatológicos

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024

Enunciado

Uma menina de onze anos de idade apresenta dor abdominal recorrente há três meses, acompanhada de febre, perda de peso e diarreia de pouco volume, com sangue e muco nas fezes, além de tenesmo retal. Os exames revelam anemia microcítica e hipocrômica e leucocitose discreta. O VHS, a proteína C-reativa e a calprotectina fecal estão elevados. À colonoscopia, foram visualizadas lesões ulceradas e aftoides entremeadas com áreas de mucosa normal, com aspecto de "pedras de calçamento". Em relação a esse caso hipotético, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Se forem encontrados granulomas não caseosos na biópsia, o diagnóstico de Doença de Crohn será confirmado.
  2. B) A calprotectina fecal elevada já confirma doença inflamatória intestinal.
  3. C) A análise dos anticorpos Asca e p-Anca teriam eliminado a necessidade da colonoscopia.
  4. D) O tratamento deve ser iniciado com infliximabe.
  5. E) O tratamento com mesalazina deve ser reservado apenas para os casos mais graves.

Pérola Clínica

Doença de Crohn: granulomas não caseosos na biópsia + "pedras de calçamento" na colonoscopia são achados típicos.

Resumo-Chave

A presença de granulomas não caseosos na biópsia é um achado histopatológico característico da Doença de Crohn, auxiliando na diferenciação de outras doenças inflamatórias intestinais. A calprotectina fecal é um marcador de inflamação, mas não confirma o diagnóstico por si só.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com inflamação transmural e segmentar. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, com uma etiologia multifatorial envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. A apresentação clínica é variável, mas frequentemente inclui dor abdominal, diarreia crônica, perda de peso e fadiga. O diagnóstico da Doença de Crohn é complexo e baseia-se em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais (anemia, marcadores inflamatórios como VHS, PCR e calprotectina fecal), endoscópicos e histopatológicos. A colonoscopia com biópsias é crucial, revelando lesões salteadas, úlceras aftoides e o clássico aspecto de "pedras de calçamento". A presença de granulomas não caseosos na biópsia é um achado patognomônico, embora não esteja presente em todos os casos. O tratamento da Doença de Crohn é individualizado e visa induzir e manter a remissão, aliviar sintomas e prevenir complicações. Inclui medicamentos como aminosalicilatos (mesalazina, para casos leves), corticosteroides para indução de remissão, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e terapias biológicas (anti-TNF como infliximabe, adalimumabe) para casos moderados a graves. A cirurgia é reservada para complicações ou falha terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Doença de Crohn?

A Doença de Crohn pode se manifestar com dor abdominal recorrente, diarreia crônica (muitas vezes com sangue e muco), perda de peso, febre e sintomas extraintestinais.

Qual o papel da calprotectina fecal no diagnóstico da Doença de Crohn?

A calprotectina fecal é um biomarcador de inflamação intestinal útil para rastreamento e monitoramento da atividade da doença, mas não é diagnóstica por si só e não substitui a endoscopia com biópsia.

Como diferenciar Doença de Crohn de Retocolite Ulcerativa na colonoscopia e biópsia?

Na Doença de Crohn, a colonoscopia pode mostrar lesões salteadas ("pedras de calçamento") e granulomas não caseosos na biópsia, enquanto na Retocolite Ulcerativa a inflamação é contínua e superficial, sem granulomas.

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