Doença de Crohn: Diagnóstico Clínico e Endoscópico

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 32 anos se queixa de dor abdominal periumbilical em cólica, que alivia após a evacuação. Há diarreia em grande volume com fezes líquidas, algumas vezes contendo sangue, em 4 episódios ao dia, há 35 dias. Apresentou alguns episódios febris e perdeu 2kg no período. Desconhece doenças prévias e nega o uso de medicamentos ou drogas ilícitas. O exame do abdômen revela dor à palpação profunda difusa, sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal não revela alterações. Sem outras anormalidades no restante do exame físico. Exames de laboratório: hemoglobina 11,2g/dL, leucócitos 5.460/mm³, plaquetas 230.000/mm³, proteína C reativa 12mg/dL, calprotectina fecal positiva. Colonoscopia: áreas de hiperemia e úlceras longitudinais na mucosa do íleo terminal, ângulo esplênico do cólon e sigmoide. Demais regiões com mucosas de características normais. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS ADEQUADO para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Colite isquêmica.
  2. B) Doença de Crohn.
  3. C) Retocolite ulcerativa.
  4. D) Síndrome do cólon irritável.

Pérola Clínica

Dor abdominal, diarreia sanguinolenta, perda peso, calprotectina +, lesões salteadas (íleo terminal + cólon) → Doença de Crohn.

Resumo-Chave

O quadro clínico com dor abdominal crônica, diarreia com sangue, perda de peso e febre, associado a calprotectina fecal elevada e achados endoscópicos de lesões salteadas (especialmente em íleo terminal e cólon), é altamente sugestivo de Doença de Crohn.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, de etiologia multifatorial, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma transmural e com padrão de lesões salteadas. É mais comum em adultos jovens e sua prevalência tem aumentado globalmente, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na prática clínica. O diagnóstico da Doença de Crohn baseia-se na combinação de achados clínicos, laboratoriais, endoscópicos e histopatológicos. Sintomas como dor abdominal crônica, diarreia (muitas vezes com sangue), perda de peso, febre e manifestações extraintestinais são sugestivos. Exames laboratoriais podem mostrar anemia, elevação de marcadores inflamatórios como PCR e calprotectina fecal. A colonoscopia com biópsias é fundamental, revelando úlceras aftoides, úlceras longitudinais, aspecto em 'pedra de calçamento' e áreas de inflamação intercaladas com mucosa saudável, além do acometimento do íleo terminal. O tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir complicações e manter a remissão. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas). Em casos de complicações como estenoses ou fístulas, a cirurgia pode ser necessária. O manejo é individualizado e requer acompanhamento multidisciplinar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da Doença de Crohn?

Os sintomas comuns incluem dor abdominal em cólica, diarreia crônica (com ou sem sangue), perda de peso, febre e fadiga, refletindo a inflamação do trato gastrointestinal.

Qual o papel da calprotectina fecal no diagnóstico da Doença de Crohn?

A calprotectina fecal é um marcador inflamatório não invasivo que, quando elevado, indica inflamação intestinal e é útil para triagem e monitoramento da atividade da doença.

Como a colonoscopia ajuda a diferenciar Doença de Crohn de Retocolite Ulcerativa?

Na Doença de Crohn, a colonoscopia frequentemente revela lesões 'salteadas' (áreas inflamadas intercaladas com mucosa normal), úlceras longitudinais e acometimento do íleo terminal, diferentemente da Retocolite Ulcerativa, que apresenta inflamação contínua e superficial, geralmente restrita ao cólon.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo