Doença de Crohn: Diagnóstico Clínico e Sinais Chave

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 21 anos, queixa-se de diarréia intermitente há 5 meses. Com 5 a 8 evacuações ao dia, fezes líquidas, sem sangue, com períodos de cólicas abdominais difusas precedendo as evacuações, melhora discreta ao defecar. Os episódios costumam durar 3 a 5 dias e vem se tornando mais frequentes. Perdeu 6 Kg desde o início do quadro. Há dois dias houve piora: evacuando até 10 vezes ao dia, com dor abdominal. Hoje teve um pico febril de 38,5oC. Exame físico: REG, descorado ++/4+, desidratado ++/4+. Abdome: plano, flácido, doloroso difusamente, com descompressão dolorosa em FID. RHA hiperativos. Exames Laboratoriais: Hb= 9,0g/dL, Ht= 29%, VCM=77fL, HCM= 26pg; leucócitos= 8.200 (bastões: 15%, segmentados= 61%; linfócitos= 24%), plaquetas= 450.000/mm3. Albumina= 3,2g/dL; K= 3,7 mEq/L; Na= 135mEq/L. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda
  2. B) Doença de Crohn
  3. C) Neoplasia de colon
  4. D) Doença celíaca
  5. E) Diverticulite

Pérola Clínica

Crohn: diarreia crônica, dor abdominal, perda peso, febre, anemia, inflamação FID.

Resumo-Chave

A Doença de Crohn se manifesta com diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso e sinais inflamatórios sistêmicos como febre, anemia e trombocitose. A descompressão dolorosa em FID sugere acometimento ileal, comum na doença.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, idiopática, que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com predileção pelo íleo terminal e cólon. Sua prevalência tem aumentado globalmente, sendo um diagnóstico importante na prática clínica, especialmente em jovens adultos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações e iniciar o tratamento adequado. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais. Clinicamente, suspeita-se de Crohn em pacientes com diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso, febre e anemia. Achados como descompressão dolorosa em fossa ilíaca direita sugerem ileíte. A anemia microcítica e a trombocitose são marcadores de inflamação crônica, enquanto a hipoalbuminemia indica má absorção ou perda proteica. O tratamento da Doença de Crohn visa induzir e manter a remissão, aliviar sintomas e prevenir complicações. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas). O manejo nutricional é fundamental, e a cirurgia é indicada para complicações como estenoses, fístulas ou falha do tratamento clínico. O prognóstico varia, mas o acompanhamento contínuo é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença de Crohn?

A Doença de Crohn classicamente se apresenta com diarreia crônica, dor abdominal (frequentemente em fossa ilíaca direita), perda de peso, febre e fadiga. Pode haver também manifestações extraintestinais.

Quais exames laboratoriais sugerem Doença de Crohn?

Exames podem revelar anemia (ferropriva ou de doença crônica), trombocitose, elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e hipoalbuminemia. A calprotectina fecal é um bom marcador de atividade inflamatória intestinal.

Como diferenciar Doença de Crohn de outras causas de dor abdominal crônica?

A diferenciação envolve a análise do padrão dos sintomas, exames laboratoriais, endoscopia com biópsia e exames de imagem (enterografia por TC ou RM). A presença de inflamação transmural e acometimento segmentar são característicos de Crohn.

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