Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Adolescente de 13 anos iniciou quadro de dor abdominal, diarreia mucossanguinolenta e perda ponderal há 2 anos. Após 1 mês do início, realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou duodenite crônica inespecífica leve e colonoscopia com úlceras profundas entremeadas de áreas de mucosa normal, e alguns segmentos com lesões coalescentes com estreitamento da luz. A biópsia intestinal revelou granulomas não caseosos com células gigantes de Langerhans.O diagnóstico do paciente e a conduta inicial a ser tomada são, respectivamente:
Adolescente com diarreia mucossanguinolenta, perda ponderal, úlceras profundas e granulomas não caseosos → Doença de Crohn.
O quadro clínico de dor abdominal, diarreia mucossanguinolenta e perda ponderal em adolescente, associado a achados endoscópicos de úlceras profundas e áreas de mucosa normal (skip lesions), e histopatológicos de granulomas não caseosos, é altamente sugestivo de Doença de Crohn. O tratamento inicial inclui corticosteroides (prednisolona) e aminosalicilatos (mesalazina).
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, de etiologia multifatorial, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Em adolescentes, a apresentação clínica pode ser insidiosa, com dor abdominal, diarreia (frequentemente mucossanguinolenta), perda ponderal, atraso no crescimento e manifestações extraintestinais. O diagnóstico precoce é crucial para minimizar o impacto na qualidade de vida e prevenir complicações.Os achados endoscópicos típicos incluem úlceras profundas, lesões salteadas (áreas de mucosa inflamada entremeadas por mucosa normal) e estenoses. A biópsia intestinal é fundamental e pode revelar inflamação transmural e a presença de granulomas não caseosos, que são patognomônicos da Doença de Crohn. A diferenciação com retocolite ulcerativa e tuberculose intestinal é importante, sendo os granulomas um marcador chave.O tratamento da Doença de Crohn é individualizado e visa induzir e manter a remissão, controlar os sintomas e prevenir complicações. A terapia inicial para casos moderados a graves geralmente envolve corticosteroides (como prednisolona) para indução da remissão. Aminosalicilatos (como mesalazina) podem ser usados em casos leves ou como terapia adjuvante. Em casos mais complexos ou refratários, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e terapias biológicas (anti-TNF) são indicados. O manejo multidisciplinar é essencial para o cuidado integral do paciente.
O diagnóstico da Doença de Crohn é baseado em uma combinação de achados clínicos (dor abdominal, diarreia, perda de peso), endoscópicos (úlceras profundas, lesões salteadas, estenoses), radiológicos e histopatológicos (granulomas não caseosos, inflamação transmural). Não há um único teste diagnóstico.
A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, apresenta inflamação transmural, lesões salteadas ('skip lesions') e granulomas não caseosos. A Retocolite Ulcerativa, por outro lado, afeta apenas o cólon e reto, com inflamação contínua e superficial da mucosa, e não apresenta granulomas.
O tratamento inicial para a Doença de Crohn em atividade geralmente envolve corticosteroides (como prednisolona) para induzir remissão, combinados com aminosalicilatos (como mesalazina) para manutenção ou casos leves. Imunomoduladores e agentes biológicos são considerados para casos mais graves ou refratários.
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