HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
Mulher de 31 anos de idade é admitida na unidade de emergência com quadro de diarreia há 8 semanas. Ela refere que os episódios inicialmente eram esporádicos, mas há 4 semanas houve piora da frequência, com presença eventual de sangue e muco nas fezes. Também apresentou perda de 10 kg no período (peso atual: 52kg). Há 1 semana, notou saída de secreção amarelada por orifício na pele próximo ao ânus. Adicionalmente, tem história prévia de vitiligo. Há 3 dias, evoluiu com piora do quadro, passando a apresentar 8 a 10 evacuações ao dia, febre (38, 8°C), distensão e dor abdominal. Ao exame físico, estava em regular estado geral, desidratada (2+/4+) e febril, com frequência cardíaca de 135bpm, pressão arterial de 118x76mmHg, frequência respiratória de 16ipm e saturação periférica de oxigênio de 96%. O abdome estava distendido, doloroso à palpação difusa e com sinal de dor à descompressão brusca. Além do controle da dor e da solicitação de exames complementares, qual conduta deve ser adotada no momento?
Diarreia crônica + fístula perianal + irritação peritoneal → Suspeita de Crohn com complicação aguda → RX abdome para perfuração/megacólon.
A paciente apresenta um quadro sugestivo de Doença de Crohn com complicações graves (fístula perianal, perda ponderal, sintomas inflamatórios sistêmicos) e sinais de irritação peritoneal, que levantam a suspeita de perfuração intestinal ou megacólon tóxico.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, e frequentemente apresenta manifestações extraintestinais, como o vitiligo. O quadro clínico da paciente, com diarreia crônica, perda ponderal, sangramento e fístula perianal, é altamente sugestivo de Doença de Crohn. A piora do quadro com febre, taquicardia, distensão e dor abdominal difusa com sinal de irritação peritoneal (dor à descompressão brusca) indica uma complicação aguda grave, como perfuração intestinal ou megacólon tóxico. Nestas situações, a prioridade é a exclusão de emergências cirúrgicas que exigem intervenção imediata. A conduta inicial, após estabilização hemodinâmica e controle da dor, deve incluir exames de imagem que possam identificar essas complicações. A radiografia simples de tórax e abdome em incidência anteroposterior e ortostase é fundamental para detectar pneumoperitônio (ar livre na cavidade abdominal, indicativo de perfuração) ou dilatação colônica (sugestiva de megacólon tóxico), que são condições de risco de vida e contraindicam procedimentos invasivos como a colonoscopia.
Sinais de alarme incluem piora súbita da dor abdominal, febre, taquicardia, distensão abdominal, sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão brusca) e sangramento gastrointestinal significativo, que podem indicar perfuração, megacólon tóxico ou abscesso.
A radiografia simples de abdome, em incidências anteroposterior e ortostase, é crucial para identificar pneumoperitônio (sinal de perfuração intestinal) ou dilatação colônica significativa (sugestiva de megacólon tóxico), que são emergências cirúrgicas.
A colonoscopia é contraindicada na presença de sinais de irritação peritoneal, megacólon tóxico, perfuração intestinal ou colite fulminante grave, devido ao risco de agravar essas condições ou induzir perfuração iatrogênica.
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