Doença de Crohn Complicada: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 17 anos, IMC: 20 kg/m², vai ao pronto-socorro com dor abdominal difusa há 6 meses, contínua, de leve a moderada intensidade, associada a diarreia intermitente, náuseas e vômitos, inapetência, perda ponderal importante e edema de membros inferiores até raiz de coxa. Piora súbita da dor abdominal há 1 dia, localizada em epigástrio e mesogástrio, em cólica. Nega febre, nega demais queixas. Sem morbidades, internações ou cirurgias prévias. Ao exame físico: Regular estado geral, descorado, desidratado, afebril, anictérico, acianótico, eupneico, taquicardíaco e caquético. Abdome plano, tenso (em tábua), descompressão brusca positiva. Os membros mostram edema simétrico até joelho 2+/4+, compressível. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 9,1 g/dL, Leucócitos: 21.650/mm³ (Neutrófilos: 94%, bastonetes: 10%; 84% segmentado), albumina: 3,9 g/dL. Foi submetido a tomografia, conforme imagem. Submetido a laparotomia mediana não houve instabilidade hemodinâmica durante a operação. Os achados foram os seguintes: moderada quantidade de líquido purulento em goteira parietocólica direita e pelve. Grande dilatação de alças jejunais a 1,80 m do ângulo de Treitz, evidenciado segmento de 60 cm de jejuno contendo sete áreas estenóticas, sendo a mais proximal perfurada e bloqueada na sua borda contra mesentérica, recoberta por fibrina. Cólon hipoplásico em toda sua extensão (desuso). Restante dos órgãos e estruturas de aspecto macroscópico normal. Melhor conduta, dentre as abaixo:

Alternativas

  1. A) Sutura do segmento perfurado e plastias dos segmentos estenosados.
  2. B) Ressecção do segmento perfurado, grampeamento dos cotos das alças e peritoniostomia.
  3. C) Enterectomia segmentar com jejunostomia proximal e distal.
  4. D) Enterectomia segmentar com anastomose jejunoileal.

Pérola Clínica

Paciente jovem com dor abdominal crônica, perda ponderal, edema e abdome agudo → Doença de Crohn complicada com estenose e perfuração.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal crônica, perda ponderal, edema e sinais de abdome agudo em um paciente jovem sugere uma doença inflamatória intestinal, como Doença de Crohn, com complicações como estenoses e perfuração. A conduta cirúrgica deve visar a ressecção do segmento afetado e restabelecimento da continuidade.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Caracteriza-se por inflamação transmural e pode apresentar complicações como estenoses, fístulas, abscessos e perfurações. O quadro clínico pode ser insidioso, com dor abdominal crônica, diarreia e perda ponderal. O paciente apresenta um quadro crônico de dor abdominal, perda ponderal e edema (sugerindo enteropatia perdedora de proteínas, comum na Doença de Crohn), com uma piora aguda indicando complicação. O abdome em tábua e a descompressão brusca positiva apontam para peritonite. A tomografia e os achados intraoperatórios de múltiplas estenoses e uma perfuração bloqueada confirmam a complexidade do caso. A melhor conduta cirúrgica para estenoses e perfurações em Doença de Crohn é a ressecção do segmento intestinal afetado. A enterectomia segmentar com anastomose jejunoileal permite remover o tecido doente e restabelecer a continuidade do trato gastrointestinal, sendo superior a suturas simples ou ostomias temporárias em pacientes estáveis e sem contaminação peritoneal maciça.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da Doença de Crohn complicada?

A Doença de Crohn complicada pode apresentar dor abdominal crônica, perda ponderal, diarreia, anemia, e sinais de abdome agudo como obstrução, perfuração ou formação de abscessos. Edema periférico pode indicar enteropatia perdedora de proteínas.

Qual o papel da tomografia no diagnóstico de complicações da Doença de Crohn?

A tomografia computadorizada é fundamental para avaliar a extensão da doença, identificar estenoses, fístulas, abscessos, perfurações e a presença de líquido livre, auxiliando no planejamento da conduta terapêutica.

Por que a enterectomia com anastomose é a melhor conduta em casos de estenose e perfuração?

A enterectomia segmentar com anastomose jejunoileal permite a remoção do segmento intestinal doente, incluindo as estenoses e a perfuração, restabelecendo a continuidade do trato gastrointestinal. É a abordagem definitiva para complicações obstrutivas e perfurativas em pacientes estáveis.

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