Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2020
Paciente de 19 anos, internado para investigação de dor abdominal crônica, diarreia e perda ponderal. Realizou colonoscopia que evidenciou lesões do tipo descontínuas, segmentadas no trato gastrointestinal, com duas áreas afetadas separadas por uma porção de intestino normal, semelhante a uma superfície em aspecto de paralelepípedo. À microscopia observam-se agregados linfocitários na submucosa e no exterior da camada muscular própria, com presença de granulomas epitelióides. Trata-se PROVAVELMENTE de:
Dor abdominal crônica + diarreia + perda ponderal + lesões descontínuas em paralelepípedo + granulomas → Doença de Crohn.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal caracterizada por inflamação transmural e descontínua do trato gastrointestinal, podendo afetar qualquer segmento da boca ao ânus. Os achados endoscópicos de "paralelepípedo" e histopatológicos de granulomas epitelióides são patognomônicos.
A Doença de Crohn (DC) é uma das duas principais formas de Doença Inflamatória Intestinal (DII), sendo uma condição crônica, idiopática e inflamatória que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, e sua etiologia envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Para residentes, é fundamental dominar o diagnóstico diferencial com a retocolite ulcerativa. Clinicamente, a DC manifesta-se com dor abdominal crônica, diarreia (que pode ser sanguinolenta, mas menos frequentemente que na retocolite), perda de peso, febre e fadiga. Complicações como fístulas, abscessos, estenoses e obstruções são comuns devido à natureza transmural da inflamação. O diagnóstico é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais, endoscópicos, radiológicos e histopatológicos. Os achados endoscópicos são cruciais: a DC é caracterizada por lesões descontínuas ("skip lesions"), onde áreas inflamadas são separadas por mucosa normal. O aspecto em "paralelepípedo" da mucosa, devido a úlceras lineares profundas e edema da mucosa adjacente, é altamente sugestivo. Histopatologicamente, a inflamação é transmural (afetando todas as camadas da parede intestinal) e a presença de granulomas epitelióides não caseosos é um achado distintivo, embora não esteja presente em todos os casos. O tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir complicações, utilizando medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal crônica, diarreia (muitas vezes sem sangue macroscópico), perda de peso, fadiga e, em alguns casos, manifestações extraintestinais.
A colonoscopia pode revelar lesões descontínuas ("skip lesions"), úlceras aftoides, úlceras lineares profundas e o característico aspecto em "paralelepípedo" da mucosa.
A presença de granulomas epitelióides não caseosos na biópsia intestinal é um achado histopatológico altamente sugestivo e quase patognomônico da Doença de Crohn, diferenciando-a de outras condições.
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