Doença de Crohn: Diagnóstico Clínico e Histopatológico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 31 anos de idade apresenta quadro de dor abdominal e diarreia sanguinolenta intermitente há 2 meses, sem urgência, tenesmo ou febre. O sangramento ocorre com e sem movimentos intestinais. Nega febre, calafrios, suores noturnos, artralgia, dor ocular ou erupção cutânea. Nega viagem recente, uso de antibióticos ou doenças prévias. Exame físico: sinais vitais normais; abdome: sensibilidade moderada à palpação do quadrante inferior esquerdo. A colonoscopia mostra eritema e ulceração não contínuos no cólon ascendente, descendente e sigmoide; reto e o cólon transverso normais. O histopatológico de biópsias das áreas afetadas revela criptas distorcidas e ramificadas, com formação de granulomas.O diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) colite eosinofílica.
  2. B) colite microscópica.
  3. C) doença de Crohn.
  4. D) retocolite ulcerativa.

Pérola Clínica

Diarreia sanguinolenta + dor abdominal + lesões salteadas + granulomas = Doença de Crohn.

Resumo-Chave

O quadro clínico de diarreia sanguinolenta e dor abdominal, associado a achados colonoscópicos de lesões não contínuas (salteadas) e histopatológicos de criptas distorcidas com granulomas, é altamente sugestivo de Doença de Crohn. A ausência de tenesmo e o acometimento segmentar também favorecem este diagnóstico.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica e idiopática que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Caracteriza-se por inflamação transmural, ou seja, que atinge todas as camadas da parede intestinal. A epidemiologia mostra um aumento da incidência global, e o diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações. O quadro clínico é variável, mas frequentemente inclui dor abdominal, diarreia (com ou sem sangue), perda de peso, fadiga e, em alguns casos, manifestações extraintestinais. A colonoscopia com biópsias é fundamental para o diagnóstico, revelando lesões salteadas (áreas inflamadas intercaladas com mucosa normal), úlceras aftoides e, microscopicamente, inflamação crônica com distorção de criptas e a presença de granulomas não caseosos, que são patognomônicos. O tratamento da Doença de Crohn é complexo e visa induzir e manter a remissão, aliviar os sintomas e prevenir complicações. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF). A cirurgia é reservada para complicações ou falha do tratamento clínico. O prognóstico varia, mas a doença é crônica e requer acompanhamento contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa?

A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, apresenta inflamação transmural, lesões salteadas e granulomas. A Retocolite Ulcerativa afeta apenas o cólon e reto, com inflamação contínua e superficial, sem granulomas.

O que são as "lesões salteadas" na Doença de Crohn?

As "lesões salteadas" referem-se a áreas de inflamação intercaladas com segmentos de mucosa intestinal normal, uma característica patognomônica da Doença de Crohn observada na colonoscopia.

Qual a importância dos granulomas no diagnóstico histopatológico da Doença de Crohn?

A presença de granulomas não caseosos no histopatológico das biópsias intestinais é um achado distintivo e altamente sugestivo da Doença de Crohn, ajudando a diferenciá-la de outras colites.

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