Doença de Crohn: Diagnóstico e Sinais Chave

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 30 anos, sem comorbidades prévias, apresentando quadro de dor abdominal e diarreia aquosa há 6 semanas, com muco, pus e sangue. Submetido a colonoscopia que evidenciou múltiplas úlceras em íleo terminal, cólon direito e transverso, com áreas entremeadas de mucosa sã. Exame proctológico identificando fístula perianal.O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Tuberculose intestinal.
  2. B) Amebíase.
  3. C) Doença de Crohn.
  4. D) Retocolite ulcerativa.

Pérola Clínica

Crohn = DII transmural, úlceras salteadas, fístulas, acometimento íleo terminal e perianal.

Resumo-Chave

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. É caracterizada por inflamação transmural, acometimento segmentar (áreas de mucosa sã entremeadas com lesões), e manifestações extraintestinais, incluindo fístulas perianais, que são altamente sugestivas do diagnóstico.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma das principais doenças inflamatórias intestinais (DII), caracterizada por uma inflamação crônica e transmural que pode afetar qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. A importância clínica reside na sua natureza crônica, progressiva e na capacidade de causar complicações graves, como estenoses, fístulas e abscessos, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico da Doença de Crohn é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais, endoscópicos, radiológicos e histopatológicos. Clinicamente, os pacientes frequentemente apresentam dor abdominal, diarreia crônica (com ou sem muco, pus e sangue), perda de peso e fadiga. A colonoscopia com biópsia é fundamental, revelando úlceras profundas, inflamação segmentar ('skip lesions' ou lesões salteadas) e acometimento do íleo terminal. A presença de fístulas perianais, como descrito na questão, é um achado altamente sugestivo de Doença de Crohn, refletindo a inflamação transmural característica. O tratamento da Doença de Crohn é complexo e visa induzir e manter a remissão, aliviar os sintomas e prevenir complicações. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas). O prognóstico varia, mas a doença requer manejo contínuo, e muitos pacientes necessitarão de cirurgia em algum momento para tratar complicações como estenoses ou fístulas refratárias ao tratamento clínico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos da Doença de Crohn na colonoscopia?

Na colonoscopia, a Doença de Crohn tipicamente apresenta úlceras aftoides, lineares ou serpiginosas, com áreas de mucosa sã entremeadas ('skip lesions'), e pode acometer o íleo terminal, cólon direito e transverso, além de estenoses e pseudopólipos inflamatórios.

Por que a fístula perianal é um achado importante na Doença de Crohn?

A fístula perianal é uma complicação comum e altamente sugestiva da Doença de Crohn, refletindo a natureza transmural da inflamação que pode perfurar a parede intestinal e formar trajetos anormais para a pele ou outros órgãos.

Como diferenciar Doença de Crohn de Retocolite Ulcerativa?

A Doença de Crohn se diferencia da Retocolite Ulcerativa pelo acometimento segmentar (lesões salteadas), inflamação transmural, presença de granulomas não caseosos na biópsia, e manifestações como fístulas e acometimento do íleo terminal, que não ocorrem na Retocolite Ulcerativa.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo