UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 55 anos refere história de diarreia com muco e sangue há nove anos, associada à febre diária e emagrecimento de 10% do peso nos últimos três meses. Vem apresentando infecção urinária de repetição. Na internação atual, o paciente relata pneumatúria. A doença principal e um exame para o diagnóstico da complicação do quadro clínico atual, respectivamente, são:
Pneumatúria + Diarreia crônica + Emagrecimento → Fístula enterovesical na Doença de Crohn.
A Doença de Crohn é transmural, permitindo a formação de trajetos fistulosos entre alças intestinais e órgãos adjacentes, como a bexiga, causando pneumatúria.
O caso clínico apresenta um paciente com sintomas clássicos de Doença de Crohn de longa data (diarreia com muco e sangue, emagrecimento) que evoluiu com uma complicação penetrante. A presença de pneumatúria e infecções urinárias de repetição aponta diretamente para uma fístula enterovesical, geralmente originada no íleo terminal, que é o local mais acometido pelo Crohn. O diagnóstico diferencial entre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) é frequente em provas. Lembre-se: Crohn é 'da boca ao ânus', transmural, descontínuo e fistulizante. A Colite Ulcerativa é restrita ao cólon, mucosa, contínua e não fistuliza. O manejo dessas fístulas geralmente envolve terapia biológica (anti-TNF) e, frequentemente, intervenção cirúrgica.
Pneumatúria é a passagem de gás através da uretra durante a micção. Na prática clínica, quando associada a sintomas gastrointestinais crônicos, é um sinal patognomônico de fístula enterovesical (comunicação entre o intestino e a bexiga). O gás proveniente do lúmen intestinal entra na bexiga e é expelido com a urina. Frequentemente, o paciente também relata fecalúria (fezes na urina) e infecções urinárias de repetição por flora polimicrobiana entérica.
A Doença de Crohn caracteriza-se por uma inflamação transmural, ou seja, que atravessa todas as camadas da parede intestinal (mucosa, submucosa, muscular e serosa). Isso leva à formação de úlceras profundas que podem perfurar e criar comunicações com órgãos vizinhos. Já a Colite Ulcerativa é uma doença inflamatória que se limita à mucosa e, às vezes, à submucosa, sendo contínua e restrita ao cólon, o que impossibilita a formação de trajetos fistulosos profundos.
A Entero-Ressonância Magnética (Entero-RM) é o padrão-ouro para avaliar a extensão da Doença de Crohn no intestino delgado e detectar complicações penetrantes. Ela oferece excelente contraste de tecidos moles, permitindo visualizar trajetos fistulosos, abscessos e o grau de atividade inflamatória da parede intestinal sem a necessidade de radiação ionizante, o que é crucial para pacientes jovens que precisarão de múltiplos exames ao longo da vida.
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