Doença de Crohn: Diagnóstico Endoscópico e Histopatológico

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente jovem realizou colonoscopia para investigação de diarreia crônica. O exame revelou lesões do tipo descontínuas, com duas áreas afetadas separadas por uma porção de intestino normal, semelhante a uma superfície em aspecto de paralelepípedo. O exame histopatológico mostra agregados linfocitários na submucosa e no exterior da camada muscular própria, com presença de granulomas epitelióides. A principal hipótese diagnostica é:

Alternativas

  1. A) Retocolite ulcerativa.
  2. B) Colite pseudomembranosa.
  3. C) Doença de Crohn.
  4. D) Polipose adenomatosa familiar.

Pérola Clínica

Doença de Crohn: inflamação transmural, lesões descontínuas ('skip lesions'), aspecto em paralelepípedo, granulomas não caseosos.

Resumo-Chave

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal caracterizada por inflamação transmural, lesões descontínuas e presença de granulomas não caseosos, que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma das principais doenças inflamatórias intestinais (DII), caracterizada por uma inflamação crônica e transmural que pode afetar qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. A doença se manifesta com sintomas como diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso e, em alguns casos, manifestações extraintestinais. O diagnóstico da Doença de Crohn é baseado em uma combinação de achados clínicos, endoscópicos, radiológicos e histopatológicos. A colonoscopia é um exame chave, revelando lesões descontínuas (áreas de inflamação intercaladas com mucosa normal, as 'skip lesions') e um padrão de 'paralelepípedo' (cobblestone appearance) devido a úlceras longitudinais e edema. Histopatologicamente, a inflamação transmural e a presença de granulomas não caseosos são características distintivas, embora os granulomas nem sempre estejam presentes. O tratamento da Doença de Crohn visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos. Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para tratar complicações como estenoses, fístulas ou abscessos. O prognóstico varia, mas a doença é crônica e requer manejo contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características endoscópicas da Doença de Crohn?

A colonoscopia na Doença de Crohn frequentemente revela lesões descontínuas (skip lesions), áreas de mucosa normal intercaladas com áreas inflamadas, e um aspecto de 'paralelepípedo' devido a úlceras longitudinais e edema da mucosa.

O que significa a presença de granulomas epitelióides no histopatológico da Doença de Crohn?

A presença de granulomas epitelióides não caseosos na biópsia é uma característica histopatológica distintiva da Doença de Crohn, indicando uma inflamação transmural e crônica que pode afetar todas as camadas da parede intestinal.

Como diferenciar a Doença de Crohn da Retocolite Ulcerativa?

A Doença de Crohn se diferencia da Retocolite Ulcerativa por sua inflamação transmural, lesões descontínuas, envolvimento de qualquer parte do TGI (boca ao ânus) e presença de granulomas. A Retocolite, por sua vez, apresenta inflamação superficial e contínua, restrita ao cólon e reto.

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