IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 25 anos de idade, procurou o pronto atendimento por dor abdominal associada a náuseas, vômitos e parada de eliminação de fezes e flatos há dois dias. Relata diarreia há seis meses, com presença de muco, sem sangue. Ao exame, encontrase em bom estado geral, desidratada 1+/4+. O abdome está distendido, timpânico, com ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação profunda difusamente. O toque retal apresenta ampola vazia, sem lesões tocáveis. A tomografia de abdome evidenciou distensão difusa de alças intestinais, com espessamento parietal do íleo terminal, associada a diminuição do seu calibre e engurgitamento dos vasos mesenteriais. Qual é a principal hipótese diagnóstica para esta paciente?
Doença de Crohn: diarreia crônica + dor abdominal + obstrução intestinal + espessamento íleo terminal na TC.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, mas tem predileção pelo íleo terminal. A apresentação com diarreia crônica, dor abdominal, e sinais de obstrução intestinal, juntamente com achados tomográficos de espessamento parietal e engurgitamento vascular, é altamente sugestiva.
A Doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica e idiopática, caracterizada por inflamação transmural e segmentar que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Sua epidemiologia mostra uma incidência crescente globalmente, afetando predominantemente adultos jovens. A importância clínica reside na sua natureza crônica, com períodos de remissão e exacerbação, e no potencial de complicações graves como obstrução intestinal, fístulas, abscessos e aumento do risco de câncer colorretal. A fisiopatologia da DC envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, microbioma intestinal e uma resposta imune desregulada. O diagnóstico é multifatorial, baseado em achados clínicos (dor abdominal, diarreia crônica, perda de peso), laboratoriais (marcadores inflamatórios elevados), endoscópicos com biópsia (inflamação transmural, granulomas não caseosos) e de imagem. A tomografia de abdome é crucial para avaliar a extensão da doença, identificar complicações como estenoses e fístulas, e caracterizar o espessamento parietal e o engurgitamento vascular, que são achados típicos no íleo terminal. O tratamento da DC visa induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui medicamentos (aminossalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores, biológicos), modificações dietéticas e, em casos de complicações, cirurgia. Residentes devem estar aptos a reconhecer a apresentação clínica e os achados de imagem da DC para um diagnóstico precoce e manejo adequado, evitando a progressão da doença e suas morbidades associadas.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal crônica, diarreia (muitas vezes com muco, mas sem sangue macroscópico), perda de peso, febre e fadiga. Complicações como obstrução intestinal, fístulas e abscessos também são comuns.
Na tomografia, achados sugestivos incluem espessamento parietal do intestino (especialmente íleo terminal), estenoses, dilatação de alças proximais à estenose, engurgitamento dos vasos mesentéricos (sinal do pente), e presença de fístulas ou abscessos.
A Doença de Crohn se diferencia pela cronicidade dos sintomas, presença de inflamação transmural e segmentar, envolvimento de qualquer parte do TGI (com predileção pelo íleo terminal), e achados histopatológicos de granulomas não caseosos. O diagnóstico requer uma combinação de clínica, exames laboratoriais, endoscopia com biópsia e exames de imagem.
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