Doença de Crohn: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 28 anos, com quadro de diarreia há 8 meses, não sanguinolenta, associada a fadiga intensa. Relata perda de 7 kg no período. Relatava antecedente pessoal de uveíte anterior aguda recorrente há 2 anos. Ao exame físico apresentava-se emagrecido e com a presença de fissura anal. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Intolerância à lactose.
  2. B) Infecção por Campylobacter.
  3. C) Doença de Crohn.
  4. D) Síndrome do intestino irritável.
  5. E) Neoplasia de cólon.

Pérola Clínica

Diarreia crônica + perda peso + manifestações extraintestinais (uveíte) + lesões perianais (fissura) → Doença de Crohn.

Resumo-Chave

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Suas manifestações extraintestinais, como a uveíte, e as lesões perianais, como a fissura anal, são pistas diagnósticas importantes, especialmente em quadros de diarreia crônica e perda de peso.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica e granulomatosa que pode afetar qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma segmentar. Sua epidemiologia mostra um aumento de incidência em países ocidentais, sendo mais comum em adultos jovens. A importância clínica reside na sua natureza crônica, que exige manejo contínuo e pode levar a complicações graves se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais. O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos, endoscópicos, histopatológicos e radiológicos. A suspeita deve surgir em pacientes com diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso, fadiga e, especialmente, na presença de manifestações extraintestinais como uveíte, artrite, eritema nodoso ou lesões perianais (fissuras, fístulas, abscessos). O tratamento da Doença de Crohn é complexo e visa induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas). O prognóstico varia, mas o manejo adequado pode controlar a doença e reduzir a necessidade de cirurgias, que são indicadas para complicações como estenoses, fístulas ou abscessos refratários ao tratamento clínico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Doença de Crohn?

A Doença de Crohn manifesta-se com diarreia crônica (muitas vezes não sanguinolenta), dor abdominal, perda de peso, fadiga e febre. Pode apresentar também manifestações extraintestinais como artrite, uveíte, eritema nodoso e lesões perianais como fissuras e fístulas.

Como a uveíte anterior aguda recorrente se relaciona com a Doença de Crohn?

A uveíte anterior aguda recorrente é uma das manifestações extraintestinais mais comuns da Doença de Crohn, afetando os olhos. Sua presença em um paciente com sintomas gastrointestinais crônicos deve levantar forte suspeita para a doença inflamatória intestinal.

Quais exames são importantes para o diagnóstico da Doença de Crohn?

O diagnóstico da Doença de Crohn envolve endoscopia digestiva alta e colonoscopia com biópsias, exames de imagem como enterografia por ressonância magnética ou tomografia, e exames laboratoriais para avaliar inflamação e deficiências nutricionais.

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