Doença de Crohn: Características Clínicas e Fisiopatologia

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020

Enunciado

Sobre a doença de Crohn, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.(  ) Início insidioso, febre baixa e diarreia são manifestações clínicas encontradas na doença de Crohn.(  ) A doença de Crohn não acomete o intestino delgado, limitando-se aos intestinos grosso e reto, sendo o cólon descendente o mais atingido.(  ) A doença de Crohn limita-se à superfície mucosa do cólon, não atingindo planos mais profundos.(  ) O tabagismo está associado ao desenvolvimento da doença de Crohn, à resistência à terapia médica e à recaída precoce da doença.Assinale a sequência correta.

Alternativas

  1. A) V - F - V - F
  2. B) F - V - F - V
  3. C) V - F - F- V
  4. D) F - V - V- F

Pérola Clínica

Doença de Crohn = inflamação transmural + acometimento de qualquer parte do TGI (mais comum íleo terminal) + tabagismo ↑ risco/gravidade.

Resumo-Chave

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que se caracteriza por inflamação transmural e acometimento segmentar de qualquer parte do trato gastrointestinal, sendo o íleo terminal o local mais frequente. O tabagismo é um fator de risco importante que agrava a doença e dificulta o tratamento.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma das duas principais formas de Doença Inflamatória Intestinal (DII), caracterizada por uma inflamação crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma segmentar (áreas de inflamação intercaladas com áreas saudáveis). Diferentemente da retocolite ulcerativa, a inflamação na Doença de Crohn é transmural, ou seja, atinge todas as camadas da parede intestinal, o que pode levar à formação de fístulas, abscessos e estenoses. As manifestações clínicas são variadas e podem incluir dor abdominal, diarreia crônica (que pode ser sanguinolenta, mas menos frequentemente que na retocolite), perda de peso, febre baixa, fadiga e, em muitos casos, manifestações extraintestinais como artrite, eritema nodoso e uveíte. O diagnóstico envolve uma combinação de achados clínicos, endoscópicos, histopatológicos e radiológicos. O íleo terminal é o local mais comum de acometimento, mas o cólon também é frequentemente envolvido. Um fator de risco ambiental bem estabelecido para a Doença de Crohn é o tabagismo. Fumantes têm um risco aumentado de desenvolver a doença, apresentam um curso mais grave, maior necessidade de cirurgia, maior resistência à terapia médica e taxas mais elevadas de recaída. A cessação do tabagismo é uma recomendação crucial para pacientes com Doença de Crohn. O tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir complicações, utilizando medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Doença de Crohn?

As manifestações incluem dor abdominal, diarreia crônica (muitas vezes sem sangue visível), perda de peso, febre baixa, fadiga e, em alguns casos, manifestações extraintestinais como artrite e lesões de pele.

Qual a diferença entre o acometimento intestinal na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa?

A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do TGI de forma segmentar e transmural, enquanto a Retocolite Ulcerativa se limita ao cólon e reto, com inflamação contínua e superficial (mucosa e submucosa).

Como o tabagismo influencia a Doença de Crohn?

O tabagismo é um fator de risco para o desenvolvimento da Doença de Crohn, agrava seu curso, aumenta a necessidade de cirurgia, e está associado à resistência à terapia médica e a maiores taxas de recaída.

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