FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023
Paciente de 24 anos, parda, do sexo feminino, com dor abdominal recorrente há 10 meses, evolui com emagrecimento de 8 Kg em 6 meses, anemia, adinamia e queda do estado geral. Há 15 dias apresenta piora da dor abdominal, com raros episódios de diarreia com sangue e alguns episódios de sangramento vivo, via anal, em pequena quantidade. Realizada colonoscopia. Qual o achado mais provável deste exame?
Dor abdominal crônica + emagrecimento + anemia + sangramento retal → suspeitar Doença de Crohn, úlceras aftoides no íleo terminal.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, mas frequentemente afeta o íleo terminal. Sintomas como dor abdominal crônica, emagrecimento, anemia e sangramento retal são indicativos e a colonoscopia é crucial para o diagnóstico, revelando lesões típicas como úlceras aftoides.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, de etiologia multifatorial, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. É mais comum em adultos jovens e sua prevalência tem aumentado globalmente. A importância clínica reside na sua natureza crônica, que exige manejo contínuo e pode levar a complicações graves se não diagnosticada e tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve uma resposta imunológica desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais. O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos (dor abdominal, diarreia, perda de peso, anemia), laboratoriais (marcadores inflamatórios, anemia) e de imagem/endoscopia. A colonoscopia com biópsias é fundamental, permitindo visualizar lesões características como úlceras aftoides, inflamação transmural, estenoses e fístulas, frequentemente no íleo terminal. O tratamento visa induzir e manter a remissão, aliviar sintomas e prevenir complicações. Inclui medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos. O prognóstico varia, mas o manejo precoce e adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida e evitar cirurgias, que são indicadas para complicações como estenoses refratárias, fístulas ou falha ao tratamento clínico.
A Doença de Crohn manifesta-se com dor abdominal crônica, diarreia (muitas vezes sanguinolenta), perda de peso, anemia e fadiga. Pode haver também manifestações extraintestinais como artrite e lesões cutâneas.
A colonoscopia permite a visualização direta da mucosa intestinal e a biópsia, identificando lesões características como úlceras aftoides, inflamação transmural e acometimento em 'salto', especialmente no íleo terminal.
A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do TGI, com lesões em 'salto' e inflamação transmural, enquanto a Retocolite Ulcerativa é contínua, limitada ao cólon e reto, e afeta apenas a mucosa e submucosa.
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